A luz que atravessa as lentes e é capturada pela câmera cria imagens de momentos únicos.

Então estes momentos tornam-se especiais, pois ganham eternidade.

Isto é fotografia.

Camping

Incêndio no Parque Nacional do Caparaó chega ao fim

Após quatro dias de combate aos focos de incêndio no Parque Nacional do Caparaó, todas as chamas foram extintas ainda na manhã desta quarta-feira (15). Alguns membros da brigada de incêndio ficarão de protidão na área nas próximas horas para evitar o surgimento de novos focos.

Dados de satélites utilizados pelo monitoramento de queimadas pelo INPE mostram a área finalmente livre dos focos de incêndio. Veja aqui: http://bit.ly/parnacaparao_imgsat

Mais um dia de combate ao incêndio no Parque Nacional do Caparaó

No terceiro dia de combate ao incêndio no Parque Nacional do Caparaó, ainda há focos de fogo concentrados na área próxima ao Rio Claro. Porém as chamas estão sob controle da brigada de incêndio, conforme informado por um funcionário do parque.

A previsão é que os trabalhos durem até amanhã, quando a extinção total das chamas será concluída. A falta de chuvas e a dificuldade de acesso ao local atrapalham os trabalhos da equipe.

Por medida de segurança, o acesso ao parque para visitantes está fechado pelo lado mineiro. Já pelo lado do Espírito Santo está aberto normalmente.

Conforme dados de satélites processados pelo INPE, de ontem para hoje ocorreu uma redução de onze para seis focos de incêndio. Veja na imagem abaixo.

Fonte: INPE

(CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR)

Incêndios devastam áreas no Parque Nacional do Caparaó

O incêndio que teve início na noite de sábado (11) está se espalhando por uma grande área do Parque Nacional do Caparaó. Dezenas de brigadistas estão combatendo o fogo mas enfrentam dificuldades de acesso ao locais montanhosos. Sem receber chuva por um longo tempo a vegetação está altamente inflamável, o que facilita a propagação do fogo. Há relatos de que o incêndio pode ser visto por quem trafega pela BR-262 das proximidades de Martins Soares até a divisa dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo.

O proprietário de uma pousada na cidade de Alto Caparaó afirmou, por telefone, que o acesso ao parque foi fechado por medida de segurança. Ele também disse que o fogo atingiu uma região próxima ao Terreirão, uma das áreas de camping do parque.

O sistema de monitoramento de focos de queimadas do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia do Governo Federal, mostra onze focos de incêndio registrados nas últimas 24 horas.

Fonte: INPE

(CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR)

Terceira Subida ao Pico da Bandeira

Sábado, 26 de setembro de 2009. Céu limpo, temperatura agradável e cinco aventureiros a bordo de um carro com destino ao Parque Nacional do Caparaó. A viagem já foi uma aventura por si só com direito a atoleiro e uma a visão maravilhosa da serra do Caparaó com o Pico da Bandeira se destacando.

Serra do Caparaó com o Pico da Bandeira

Serra do Caparaó com o Pico da Bandeira

Atolados

Chegamos ao parque já no início da noite e com a temperatura caindo bastante. Agasalhos vestidos e acampamento montado foi a hora de preparar o rango para garantir as calorias para a subida da madrugada que vinha. Isso tudo a luz de lanternas ou no escuro mesmo, como convinha a cada um. Por ser veterano nessa subida eu já sabia exatamente como seria o dia seguinte. Já Francisco, Aileen, Henrique e Everton eram só empolgação e aquela ansiedade que o desconhecido gera. Fomos dormir sabendo que logo no início da madrugada teríamos que acordar, se quiséssemos ver o sol nascer sentados no Pico da Bandeira.

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Uma e meia da manhã. Frio, muito frio. Por um instante reluto em abandonar meu saco de dormir. Mas foi só por um instante. Me aprontei dentro da barraca para não ter que encarar um frio maior ainda do lado de fora. Roupas e agasalhos, luvas e gorro e eu estava pronto para sair e incentivar os outros a fazer o mesmo.

Trecho 1


Os preparativos para a saída demoraram um pouco mais do que eu havia previsto e somente às 2 horas e 28 minutos nos embrenhamos pela trilha que deixa o acampamento da Casa Queimada e sobe em direção à Pedra das Duas irmãs. Apesar de ser um trecho curto, a subida logo no início enquanto nossos corpos ainda não se adaptaram à caminhada torna-se exaustiva. Depois de várias paradas para normalizar a respiração ofegante e tirar alguns itens de vestimenta chegamos ao ponto próximo da Pedra das duas Irmãs onde a trilha vira para a esquerda e o terreno fica quase plano. Foram 45 minutos para andar 1,1 km e subir 234 metros.

Dica

Um dos erros mais comuns dos novatos é permanecer com toda a roupa que vestiram antes de sair durante a caminhada na trilha. No início a temperatura corporal está um pouco mais baixa e o frio precisava ser controlado. Porém, durante a caminhada a temperatura corporal aumenta e o corpo começa a produzir suor para resfriá-lo. Nesta situação o excesso de roupas causa dois problemas: impede que a temperatura corporal baixe e faz com que o suor produzido fique acumulado. Durante paradas mais longas ou no final do trajeto as roupas úmidas farão com que o calor do corpo se perca rapidamente para o ambiente. Em casos extremos pode levar à hipotermia. É muito importante manter suas roupas secas o tempo todo.

Trecho 2


No trecho seguinte alcançamos velocidades de até 5 km/h e recuperamos parte do tempo gasto no trecho anterior. Mas o percurso foi curto e rapidamente chegamos a outro trecho mais íngreme. Conseguimos avançar mais 1,3 km mas subimos apenas 158 metros.

Trecho 3


Os primeiros sinais do nascer do dia já podiam ser vistos à leste enquanto percorríamos o penúltimo e mais íngreme trecho. A trilha também ficara mais perigosa e tivemos que aumentar nossa atenção aos obstáculos no caminho. Ao final estávamos no Pico do Calçado e o sol iria nascer em poucos minutos. Foi mais 1,03 km de avanço, 264 metros de subida e 2 horas e meia de duração total. O tempo não seria suficiente para chegarmos ao Pico da Bandeira então optamos por esperar o nascer do sol ali mesmo. A turma estava fascinada com a paisagem, o mar de nuvens e o risco avermelhado na linha do horizonte. Em um certo momento Francisco e Aileen, que são namorados, estavam juntinhos e imóveis, quase que hipnotizados pela beleza daquele instante. Aproveitei e tirei uma foto que agora considero uma das mais bonitas da minha coleção. O sol nasceu e seguimos adiante, pois o Pico da Bandeira nos aguardava não muito longe. Quarenta minutos depois de ter chegado ao Pico do Calçado partimos em direção ao Pico da Bandeira.

Namorados no Pico do Calçado

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Trecho 4


No trecho final há basicamente dois grandes obstáculos. Um é um monte no qual se sobe quase que escalando e outro é a subida final já no próprio Pico da Bandeira. Mas ninguém se importa muito com isso quando se está prestes a atingir o 3º maior ponto culminante do Brasil. Quando se dá conta, já é o Pico da Bandeira. Avançamos mais 1,02 km e subimos mais 41 metros. No total caminhamos por 4,4 km em 4 horas o que dá 1,1 km/h.

Veja outras informações sobre o Pico da Bandeira em http://www.teddsantana.com/especial_picodabandeira.html

Segunda Subida ao Pico da Bandeira

Vista do ES a partir do Pico da Bandeira

Vista do ES a partir do Pico da Bandeira

No final do dia 27 de Julho de 2007 eu finalmente cheguei à Pedra Menina depois de três ônibus e horas de espera em Guaçuí e Espera Feliz, esta última já em Minas Gerais. Era minha segunda viagem ao Parque Nacional do Caparaó e desta vez havia feito opção por me hospedar em uma pousada em Pedra Menina e subir para o parque no dia seguinte. Além disso também me preparei para fazer uma travessia entrando pelo lado do Espírito Santo e saindo pelo lado de Minas Gerais.

Na pousada encontrei com um grupo de umas vinte pessoas que haviam chegado naquele mesmo dia e que passaram o dia visitando cachoeiras no parque. Conversarmos e logo descobri que parte do grupo pretendia subir a serra até a Casa Queimada, acampar e fazer a subida até o Pico da Bandeira pela madrugada. O transporte até a Casa Queimada já estava contratado e iriam sair por volta das 22 horas. Eles estavam empolgados mas não preparados. Ninguém conhecia a trilha, o tempo estava fechado e chovia fino e nem todos tinham lanternas e agasalhos impermeáveis. Eu os aconselhei a não subir naquelas condições. Depois de alguma conversa, eles me convenceram a ir com eles e servir como guia. Achei por bem mudar meus planos e dar o apoio necessário já que eles estavam determinados a não desistir.

Já eram quase 23 horas quando fizemos nossos registros na portaria do parque. Na chegada na área de camping Casa Queimada tratamos de montar nossas barracas rapidamente para aproveitar ao máximo as poucas horas de sono que teríamos. Conforme programado acordamos no início da madrugada e começamos a subida após um café da manhã rápido. Estava muito frio mas a chuva havia dado uma trégua. No grupo éramos seis homens e três mulheres. A subida transcorreu sem nenhum incidente, mas foi lenta pois parte da turma não estava acostumada a caminhadas exaustivas como aquela.

Por volta das 6 e meia da manhã já estávamos bem próximos do Pico e o nascer do Sol se aproximava. Quando atingimos o pico já estava claro mas o tempo encoberto não nos permitiu ver o sol nascendo. O vento estava muito forte e as rajadas chegavam a tirar o equilíbrio de quem estava em área aberta. Poucos permaneciam na parte mais alta do pico, pois o frio combinado com o vento forçou os visitantes a se abrigarem atrás da base de concreto da torre. É nessas horas que uma vestimenta adequada como a que eu estava usando faz toda a diferença. Com três camadas sendo que a mais externa é totalmente impermeável, esta vestimenta protege do vento e do frio mantendo uma temperatura corporal bastante confortável. Apesar do pouco tempo de permanência no pico, 30 minutos, já havia alguns no grupo com sinais de princípio de hipotermia.

Sugeri que iniciássemos a descida o quanto antes para não piorar a situação. Mesmo abrigados do vento os sintomas da hipotermia só iriam piorar, pois não estavam se movimentando para produzir calor. Apesar de ser dia, percebi uma dificuldade maior das garotas para se locomover na trilha. Descemos devagar e chegamos ao acampamento por volta das 13 horas. O tempo fechou mais ainda e a chuva fina voltou a cair. Enquanto eles aguardavam o transporte comecei a pensar se valeria a pena fazer a travessia com aquele tempo. Uma das coisas mais importantes numa aventura é fotografá-la mas isso não seria fácil com chuva. Acabei desistindo da travessia e descendo com o grupo de volta a Pedra Menina. A travessia ficaria para outra oportunidade.

Álbum de fotos: http://bit.ly/4GsIKf
Dicas para visitar o Pico da Bandeira: http://www.tedd.ws/especiais/pico-da-bandeira
Trilha: http://www.everytrail.com/view_trip.php?trip_id=83540
Relato da primeira viagem: http://wp.me/pFnHp-4g

Terceira Viagem à Ibitipoca

Janela do Céu

Janela do Céu

Na terceira viagem à Ibitipoca em julho de 2006, me acompanhou o amigo e irmão Lucas Vallory. Foi sua primeira experiência em acampamento e trilhas. Também nunca havia estado em grutas e muitas outras coisas seriam novidades para ele.

Em Lima Duarte tivemos que esperar da manhã até a tarde pelo ônibus que nos levaria para Conceição de Ibitipoca. Encontramos a Paula, uma paulista que estava na mesma situação. A conversa e os jogos de baralho minimizaram o tédio de esperar pelo ônibus.

Acampamos em uma área de camping dentro do vilarejo de Conceição de Ibitipoca. No primeiro dia não fomos ao parque pois já estava bem tarde. Aproveitamos para conhecer as atrações do vilarejo. Tive a oportunidade de comer um delicioso “pão com linguiça” bem ao estilo mineiro.

No dia seguinte seguimos a pé para o parque. Foram três quilômetros até a portaria e chegamos por volta das 10 horas da manhã. Tivemos a grata surpresa de ver que haviam transformado a cantina em um ótimo restaurante. Então passeamos pelas redondezas até o horário do almoço. Depois de uma farta refeição, começamos nossa subida em direção ao Pico do Peão. Seus 1.720 metros foram atingidos por volta das 13 horas. De lá descemos para a Gruta dos Viajantes.

Mais para o final da tarde estivemos na Ponte de Pedra e mais uma vez pude apreciar os paredões rochosos e a água amarelada correndo pelo vale.

No terceiro dia subimos pela trilha em direção ao Pico do Ibitipoca. Ao passarmos pela entrada da Gruta das Bromélias havia um aviso de a mesma estava interditada para visitas. Depois ficamos sabendo que era devido aos frequentes desabamentos. Desta vez não haveria exploração desta magnífica gruta. Seguimos adiante e passamos pelo Pico do Ibitipoca, descendo pela trilha que leva à Janela do Céu. Chegado lá encontramos um grupo que havia chegado momentos antes. Foi interessante observar a reação deles e do Lucas diante de algo tão pitoresco. A Janela do Céu encanta com suas belezas e o contraste entre algo tão próximo – a lâmina d’água que some cachoeira abaixo – e algo tão longe – o céu pontilhado de nuvens.

Retornamos pelo mesmo caminho e partimos de volta à Vitória no dia seguinte. Para a próxima visita escolherei um período mais úmido, pois a vegetação fica muito exuberante conforme já vi em fotos.

Álbum de fotos: http://bit.ly/1D1UMd
Dicas para visitar Ibitipoca: http://www.teddsantana.com/especial_ibitipoca.html
Relato da primeira viagem: http://wp.me/pFnHp-G
Relato da segunda viagem: http://wp.me/pFnHp-6x

Segunda Viagem à Ibitipoca

Gruta das Bromélias

Gruta das Bromélias

Lá pelo final da década de 90 estive novamente em Ibitipoca. Desta vez me acompanhou Vitor Semblano, irmão de Bruno Semblano que estava na primeira viagem. Como tivemos um tempo maior para os preparativos da viagem, conseguimos vaga no camping dentro do parque. Isso fez toda a diferença. Quem acampa dentro fica livre dos horários de entrada e saída e não precisa andar quilômetros de volta para sua área de camping fora do parque depois que passou o dia inteiro andando pelas trilhas.

Nesta segunda viagem pude selecionar melhor os lugares para visitarmos. Escolhi os que mais gostei na primeira vez e alguns que não havia dado tempo de ver. Como o Vitor estava com muita disposição para andar, conseguimos cobrir tudo. Os destaques ficaram para a Janela do Céu (ou Janela para o Céu) e Gruta das Bromélias. Mas a subida ao Pico do Peão é sempre interessante. Passamos por lá depois que saímos da Gruta dos Viajantes. Enquanto descansávamos, passou por nós um grupo de três ou quatro adolescentes em direção à Gruta dos Viajantes. Já era final de tarde e eles não estavam com lanternas, agasalhos e nem água. Imaginei que não fossem conseguir retornar com luz do dia. E foi o que aconteceu. Já era noite e estávamos de volta ao acampamento quando soubemos que havia um grupo perdido pelos lados do Pico do Peão. O pessoal que estava na lanchonete tentava sinalizar com lanternas para indicar a direção a seguir. O problema é que quem está no Pico do Peão não pode seguir direto para o centro do parque. No meio há um vale cujas trilhas estavam fechadas e onde havia uma gruta com o sugestivo nome de Gruta da Onça. Vou deixar o resto por conta da imaginação de vocês. Como já estava bem frio e sem possibilidade deles retornarem sozinhos, alguns guardas e voluntários partiram para buscá-los. Nós já estávamos dormindo quando eles conseguiram chegar (inteiros), conforme ficamos sabendo no dia seguinte.

Já a Gruta das Bromélias me reservou uma surpresa: um grande desabamento. Confesso que deu um friozinho na barriga quando vi tantas rochas sobre o lugar por onde eu havia passado anos antes. Tirei da cabeça o pensamento de que outro desabamento pode ocorrer a qualquer momento sem aviso e fomos adiante. Pegamos uma das ramificações e seguimos até o seu final. Não precisa dizer que por boa parte do percurso tivemos que nos arrastar por passagens estreitas. Obviamente eu estava na frente e se alguém fosse se entalar esse alguém seria eu. Não tenho certeza mas acho que disse ao Vitor que se eu ficasse agarrado ele deveria voltar e buscar ajuda.

Quem nunca entrou em uma gruta e se embrenhou por passagens estreitas provavelmente não conseguirá ter uma ideia precisa do que se sente numa situação dessas. Não há absolutamente nenhuma luz a não ser a das lanternas. O som exterior não chega lá. Então uma experiência interessante é desligar as lanternas e ficar em silêncio. Acreditem: dá para ouvir seu próprio coração batendo e não se vê nada, mesmo com os olhos arregalados. Isso não dá medo, mas ir adiante se arrastando devagar e com muita dificuldade e pensando que voltar “de ré” deve ser muito mais difícil ainda, isso sim dá muito medo.
Infelizmente os lobos não deram o “ar da graça” desta vez e eu ainda não tenho fotos deles para exibir. Mas o passeio foi dos melhores e deixou gostinho de “quero mais”.

Alguns anos se passariam até que eu retornasse. Mas essa já é outra história.

Álbum de fotos: http://bit.ly/9pkFV
Dicas para visitar Ibitipoca: http://www.tedd.ws/especiais/ibitipoca
Relato da primeira viagem: http://wp.me/pFnHp-G

Primeira Viagem à Ibitipoca

Por volta de 1996 eu e os amigos Djan Bastos, Conrado, Bruno Fardin e Bruno Moraes  fomos à Ibitipoca por sugestão do Conrado que já havia estado ali antes e gostado bastante. Ibitipoca é uma formação geológica bastante singular que se eleva numa região não muito montanhosa, dando a ela um destaque significativo. Suas bordas são mais altas que o vale central, por onde correm riachos que foram lagos e cachoeiras. Os visitantes precisam ter disposição para andar pelas diversas trilhas existentes e que levam a grutas de diversos tamanhos e formatos.

Protegida pela criação de um parque estadual, Ibitipoca localiza-se próxima a uma vila denominada Conceição do Ibitipoca, que por sua vez está próxima à cidade de Lima Duarte, na região de Juiz de Fora. O parque abriga, além da flora, alguns mamíferos bem interessantes, como o lobo guará e a onça parda.

Montamos acampamento na Reserva Canto da Vida há alguns quilômetros da portaria do parque. Na mata próxima das barracas conseguíamos ver macacos que saltavam de galho em galho nas árvores. O contato com a natureza estava estabelecido. Mas o melhor ainda estava por vir. Nos dias seguintes exploraríamos as trilhas, as corredeiras e grutas como nunca mais poderia fazer.

A leste visitamos a Gruta do Pião, Gruta dos Viajantes e o Pico do Pião.  A partir do Pico do Pião seguimos o acero em direção norte até a extremidade do parque. Da nossa posição até a Janela do Céu não havia trilha. Para não retornar por uma boa distância, encaramos a mata até atingirmos um vale, onde uma cachoeira dava início a um cânion em direção a Janela do Céu. A travessia do cânion não foi fácil. Por diversas vezes tivemos que nos agarrar aos paredões para transpor os poços profundos do caminho. Como a água estava muito fria, ninguém cogitava a hipótese de nadar pelos poços. Mas no final de uma dessas travessias, o Conrado se desprendeu do paredão e caiu na água. Por sorte já era num local raso e ele rapidamente conseguiu sair. Lembro-me que um de nós disse uma frase engraçada enquanto olhada para um dos poços: “Olha a “profundidão” deste poço”. Todos caímos na gargalhada. Mas tarde outro teria dito em referência ao aspecto amarelado da água que é resultante da decomposição de matéria vegetal morta: “Ela (a água) deve estar com malária”. Mais gargalhadas.

Mesmo evitando a água fria ao máximo, nossas calças e tênis já estavam encharcados e isso dificultava um pouco nossos movimentos. Por fim chegamos à Janela do Céu. Este lugar não estava no mapa que recebemos no centro de informações do parque. Eles o consideram perigoso e tentam evitar que os turistas o visitem. A janela do Céu é o topo de uma cachoeira de despenca para fora do parque. Como está no final do cânion, olhando a partir dele se vê apenas a água sumindo e o céu adiante. É uma visão fantástica. E a adrenalina corre solta quando se chega bem na beirada e pode-se ver a água caindo lá embaixo.

Nosso retorno não foi pelo cânion e sim pela trilha que leva ao Pico do Ibitipoca. No caminho encontramos uma torre de vigilância construída em metal e com uma boa altura. No topo, um abrigo todo envidraçado com visão de todo o parque. A entrada era por um alçapão no fundo. Nossa curiosidade não permitiu que passássemos sem subir lá e assim fizemos. Mais adiante, já na descida da serra, tivemos a brilhante ideia de retornar a noite e dormir na torre, para ver o sol nascer. Na hora todos queriam isso. Então apressamos o passo para retornar ao acampamento, tomar banho, comer alguma coisa, juntar os apetrechos necessários e retornar ao parque antes do final do horário de entrada. Mas algumas desistências foram surgindo e, no final, só eu e Djan estávamos dispostos a retornar e cumprir a missão.

Conseguimos retornar ao parque antes do fechamento. Como ainda havia grupos retornando pela trilha do Pico do Ibitipoca, por onde subiríamos, resolvemos dar um tempo na cantina, pois nossa subida não poderia chamar a atenção. Obviamente estávamos infringindo algumas regras. Sabíamos que não deveríamos fazer aquilo, mas o espírito aventureiro e a juventude aliados nos fizeram ir adiante. Após um bom tempo na cantina iniciamos nossa subida pela serra e, apesar de já ser noite, ainda encontramos um grupo descendo e tivemos que nos esconder nos arbustos até que tivessem passado. Com receio de que fôssemos vistos pelos guardas enquanto subíamos, mantivemos as lanternas apagadas. No início estava fácil mas depois começou a descer uma névoa e ficou difícil ver a trilha só com a luz das estrelas.

A adrenalina tomou conta quando ouvimos um barulho à nossa frente e acendemos as lanternas. Era um logo guará atravessando a trilha. Ele parou e ficou encarando as lanternas. Estava a menos de seis metros e eu só pensava em fotografar. O problema era que eu fiquei com receio de estragar a câmera numa queda que a havia guardado presa ao pescoço por dentro das roupas. Então tive que abrir o velcro do meu anorak e isso fez muito barulho. Vale lembrar que quando se está no meio do nada e ainda a noite qualquer barulhinho é um barulhão. Depois do velcro veio o fecho e depois tive que puxar a câmera para fora. Até aí tudo bem, o lobo continuava imóvel no meio do caminho. Então liguei a câmera e tampa automática da lente se abriu e a lente foi saindo. O barulho do motorzinho foi demais para o lobo que saiu correndo. Eu fiquei desolado com a câmera na mão. Como lamentei perder aquela oportunidade única. Mas a aventura estava apenas começando.

Quando atingimos o pico a névoa já estava tão densa que tive receio de não ver a torre e passar direto. Ela não estava exatamente na trilha. Ficava afastada uns 15 metros e nossa visibilidade era menor que isso. Por sorte não a perdemos. Fui o primeiro a subir pela escada e o primeiro a ter a triste constatação de que o alçapão havia sido trancado a cadeado. Eu não acreditava no que estava vendo. Há apenas algumas horas antes ele estava aberto e não havia passado pela minha cabeça que alguém o trancaria. Descemos e começamos a pensar nas alternativas. Descer de volta para o acampamento seria complicado pois seriam mais 6 quilômetros de caminhada e já estávamos bastante cansados. O frio e o vento contribuíam para nosso desalento. E não havia sequer onde nos abrigar do vento. Então pensei em subir novamente na torre e tentar uma forma de abrir. Observei que haviam passado dois vergalhões em forma de “U” por orifícios, um no fundo do abrigo e outro no fundo do alçapão. E o cadeado unia estes dois vergalhões. Quando forcei o alçapão para cima, seu sentido de abertura, pude ver que pelo lado de dentro as pontas do “U” estavam dobradas para os lados e era isso que o prendia ao fundo. Tentei endireitá-las usando minha faca através da pequena abertura no alçapão mas o vergalhão era forte demais. Como tive que tirar minhas luvas para fazer a operação e ainda por cima estava segurando na estrutura metálica da torre minhas mãos estavam enrijecendo rapidamente. Desci e discutia a situação como Djan quando tive uma ideia. Perguntei a ele que membros eram mais fortes do que os braços. A resposta era “as pernas”. Mas como usar as pernas para abrir forçar um alçapão no alto de uma torre. O único jeito foi ficar de cabeça para baixo agarrado na escada e chutar o alçapão. Realmente eu não me lembro de como fiz isso mas deu certo. Com o alçapão aberto entramos no abrigo e forramos o chão sobre o qual abrimos nossos sacos de dormir. Após comer alguma coisa e tomar água, estávamos prontos para dormir até a manhã seguinte. Mas não foi assim tão fácil.

Eu não fazia nenhuma ideia de quanto tempo havia dormido quando acordei com as constantes batidas das janelas com as rajadas de vento. Sem falar que estava muito frio pois o vento entrava pelas frestas. O Djan também estava acordado e resolvemos tentar vedar as frestas usando um plástico que havíamos levado. Deu certo, o barulho parou e o vento já não entrava tão facilmente. Voltamos a dormir.

Sonhei que estava chovendo. Eu me abrigava mas a chuva continuava a me acertar. Então acordei e percebi que o sonho era real. A umidade de nossa respiração estava condensando no teto metálico devido ao frio lá de fora e caia de volta sobre nós. Eu já estava com partes do saco de dormir bem molhadas e o jeito foi usar o plástico que forramos o assoalho em cima de nós. O duro foi dormir ouvindo as gotas batendo no plástico.

A noite foi dura mas o dia finalmente chegou. Mas nosso objetivo de ver o sol nascer não se concretizou. A densa névoa que surgiu na noite anterior ainda cobria tudo. Só nos restava retornar para o acampamento e ainda pensar numa boa desculpa para usar com os guardas da portaria para explicar a nossa permanência dentro do parque. Mas não foi preciso. Os guardas eram outros.

Pelo sul visitamos a Ponte de Pedra por cima e por baixo, e também a Cachoeira dos Macacos. Esta última já bem no extremo sul do parque. Creio que seja a mais alta de todas e o volume de água também é o maior.

No centro estivemos no Lago dos Espelhos, Gruta do Monjolinho e Prainha. Já um pouco para oeste estivemos na Gruta das Bromélias. Nessa gruta entramos por muitos metros até que não foi mais possível devido à largura da passagem. Anos depois, ao retornar lá, vi os entulhos de um desabamento bem onde havíamos passado. Isso me fez lembrar que não é possível prever quando um desabamento ocorrerá e que pode ser no momento em que alguém esteja passando por lá. Talvez por isso este tipo de atividade receba a classificação de “aventura”.

Também visitamos o vilarejo próximo chamado Conceição do Ibitipoca. Saímos do acampamento quando já era noite. O trecho é de uns poucos quilômetros e o percorremos a pé. Durante o trajeto eu tive a melhor visão de estrela cadente de toda a minha vida. Um meteorito que emitia uma luz clara se fragmentou em três pedaços e cada um emitiu uma luz de cor diferente até se consumir completamente.

A aventura de conhecer Ibitipoca foi uma das melhoras que já fiz e eu nunca esquecerei das emoções, dos amigos, das gargalhadas, do lobo, dos almoços na cantina, das caminhadas sem fim, tudo isso foi muito especial.

Visite Ibitipoca – o parque conta com uma ótima infraestrutura para visitantes e campistas, com restaurante, sanitários, água quente nos chuveiros e churrasqueiras. Para aproveitar bem todas as atrações, recomendo uma estadia mínima de três dias.

Álbum de fotos: http://bit.ly/39tb0G
Dicas para visitar Ibitipoca: http://www.teddsantana.com/especial_ibitipoca.html

Mais aventuras em http://www.teddsantana.com


Primeira Subida ao Pico da Bandeira

Amigos no Pico da Bandeira

Amigos no Pico da Bandeira

Era uma Semana Santa de um ano qualquer entre 1994 e 1996. Depois de tantos anos desejando conhecer o Pico da Bandeira, finalmente eu estava no Parque Nacional da Serra do Caparaó.

Quem sobe para o pico pelo lado de Minas Gerais conta com três áreas para acampamentos, se não quiser se hospedar em um hotel ou pousada da região. São eles o Vale Verde, a Tronqueira e o Terreirão. Acompanhado por meu amigo Vitor, encontrei dois primos e alguns outros amigos que estavam acampados na Tronqueira e que haviam ido para lá em uma excursão. Mundo pequeno.

Uma mistura de um desejo enorme de chegar logo no pico e um espírito aventureiro me fizeram tomar uma decisão bastante exótica: começar a subida às 20 horas e dormir no pico. Meus amigos haviam optado por subir da Tronqueira até o Terreirão na madrugada e passar algum tempo na Casa de Pedra, um abrigo precário no Terreirão, para então subir até o pico a tempo de ver o Sol nascer.

Já eu e Vitor, após a partida a pé da Tronqueira, pois até lá fomos de carro, alcançamos o Terreirão e nos surpreendemos com o frio que estava fazendo lá. Comer parte de uma barra de chocolates tornou-se uma tarefa difícil, pois o chocolate estava duro como pedra. Tomar água na bica ao lado da Casa de Pedra também estava difícil. Até pensamos em nos abrigar na Casa de Pedra, mas já havia tantas pessoas ali que não caberia mais ninguém. Pensei nos amigos que chegariam na madrugada e que estavam contando com aquele abrigo. Talvez eles decidissem o mesmo que nós: continuar a subida.

Depois de muito caminhar, o cansaço e a luz azulada com que a Lua iluminava a paisagem, paramos para descansar. A mistura de sono, cansaço, frio e o azul por todos os lados me deixaram sem saber se estava acordado ou dormindo e sonhando. Foi uma experiência totalmente fora da realidade. Eu sequer havia tirado a mochila e sentado. Estava apenas encostado em uma grande pedra inclinada. Eu não sabia mais para onde ir…

Uns gritos me tiraram daquele estado de transe e me mostraram a direção do pico, onde algumas pessoas já estavam. Sacudi o Vitor para que reagisse e então recomeçamos nossa caminhada. A meia-noite e cinquenta e nove minutos alcançamos o Pico da Bandeira.

Um êxtase tomou conta de nós e naquele momento eu levantei as mãos para o céu e agradeci. Era uma vitória pelo tempo que desejei estar ali e pela dificuldade que é a subida.
Por mais estranho que possa parecer, estava menos frio que no Terreirão. Mas ainda assim tivemos que envolver os sacos de dormir com cobertores térmicos, aqueles que parecem alumínio e são utilizados para manter pessoas aquecidas quando estão em situação de risco. Foi uma grande ideia tê-los levado. O sono veio rápido.

Quando acordamos, o horizonte já estava clareando e havia mais de cinquenta pessoas no pico, todas aguardando o grande momento. Unimo-nos a elas e reencontramos os primos e amigos. O Sol nasceu e eu guardei aquele momento para sempre em minhas lembranças. Eu nem imaginava que estaria ali outras vezes e a cada vez seria uma experiência diferente. O grande pico estava conquistado.

Álbum de fotos: http://bit.ly/8JC9j
Dicas para visitar o Pico da Bandeira: http://www.tedd.ws/especiais/pico-da-bandeira

Este relato é uma homenagem ao meu primo Rafael, que estava nesta e em outras aventuras, mas que teve que partir ainda muito jovem. Ficaram saudades e boas lembranças desses momentos.

Namorados na Serra do Caparaó

Fotografei este casal de namorados que me acompanhava numa caminhada ao Pico da Bandeira, na Serra do Caparaó, quando paramos para apreciar o nascer do Sol.
O contraste entre as roupas claras e escuras, a proximidade do casal e a harmonia com o ambiente silecioso no alto do Pico do Calçado tornaram esta foto especial.