A luz que atravessa as lentes e é capturada pela câmera cria imagens de momentos únicos.

Então estes momentos tornam-se especiais, pois ganham eternidade.

Isto é fotografia.

Caminhadas

La Belle Paris

.: 19 de Agosto – Dia Mundial da Fotografia :.

Creio que chamam Paris de “Cidade Luz” pela sua iluminação noturna e pelo brilho extraordinário emitido pela Torre Eiffel com seu tão arrojado sistema de luzes.

Mas há outra luz que encanta em Paris. A luz do dia. A luz que tudo revela, que põe à mostra os detalhes de sua arquitetura e séculos de história. E foi esta luz a que mais me acompanhou durante minhas caminhadas e passeios de bicicleta para fotografar Paris.

Em cada esquina, cada rua e edifício, sempre algo merecedor dos segundos preciosos que são necessários para ajustar o equipamento, apontar e disparar. E nos segundos seguintes, a internalização da expectativa do resultado, que somente será revelado nos momentos prazerosos de edição.

Ah sim, faço edição de minhas fotos. Já superei a fase onde se pensa que a bela fotografia é aquela onde a imagem resultante é a mais fiel possível à realidade. Felizmente superei, e hoje corto, desfoco, ajusto saturação, brilho, contraste e até mudo as tonalidades e cores. E o resultado? Bem, é aquele que me faz passar mais tempo apreciando a fotografia que o tempo que passei olhando o que foi fotografado.

Isso é fotografia. Pois fotografia tem que ser capaz de nos tirar da realidade para ver somente o que está aprisionado entre os quatro cantos daquele retângulo. Mesmo que por uma fração de segundos. E neste tempo ínfimo ou longo, gerar pensamentos e emoções. E assim a luz que foi congelada no momento do clique terá cumprido tão bem o seu papel de representar o assunto retratado.

E aqui estão algumas das fotos de Paris. Outras podem ser vistas em http://www.flickr.com/search/?w=56601967@N00&q=paris

Rio Sena

Estátua na ponte Alexandre III

Arc de Triomphe du Carrousel

Palais du Louvre

Pirâmide Invertida - Museu do Louvre

RPPN Mata da Serra – Mata Atlântica Preservada

Muito se fala sobre preservação nos tempos atuais. Nas escolas, nos grupos sociais, talvez até mesmo em conversas entre marido e mulher após uma boa relação na cama. O assunto nunca esteve tão em moda. Afinal falar sobre isso não custa nada e até ajuda na mudança dos valores da sociedade. Mudança lenta diga-se de passagem.

Porém muito melhor do que falar é agir em prol desta causa. Mas justo aí está a primeira grande barreira: o que eu posso fazer? Responder esta questão e superar a barreira – de fato – é diferente para cada um de nós. Então não vou aqui dar dicas ou conselhos sobre isso. Pois eu mesmo ainda estou ensaiando a forma ou formas para superar a minha barreira.

No entanto vale conhecer o que outros fizeram e tiveram sucesso, mesmo que as condições que lhes foram favoráveis não sejam as mesmas para você. Não se trata de “copiar” e sim “se inspirar” e acreditar que é possível dar a sua contribuição para a preservação da biodiversidade, dos ecossistemas que são tão importantes para a manutenção da existência de nossa própria espécie neste planeta azul.

Em julho de 2010 visitei a localidade de São Benedito em Vargem Alta, no interior do estado do Espírito Santo. Lá encontrei áreas remanescentes de mata atlântica e muita beleza natural. Era um final de tarde quando cheguei à RPPN Mata da Serra e fiquei encantado com a paisagem: mata densa, riacho, cachoeiras e uma luz avermelhada anunciando o crepúsculo. Saí do carro com minha câmera em punho e dei meus primeiros cliques ali, na estrada mesmo. Somente depois de saciada minha fome por imagens é que entramos no sítio e desembarcamos nossas coisas.

Uma RPPN – Reserva Particular do Patrimônio Natural – é uma unidade de conservação privada, reconhecida pelo poder público, gravada com perpetuidade a partir de um ato voluntário do proprietário da área. Seu objetivo principal é conservar a diversidade biológica. Portanto o proprietário que abre mão da exploração agropecuária ou imobiliária de áreas de matas e cria uma RPPN contribui de forma extremamente importante para a conservação dessas áreas no Brasil.

A RPPN Mata da Serra é o fruto do esforço de dois irmãos – João Luiz Madureira Junior e Luiz Renato Madureira – que fizeram sua parte para preservar 14 hectares de mata nativa garantindo sua existência para as gerações futuras.

Minha estadia no local encerrou-se no dia seguinte, mas não sem antes percorrer diversas trilhas e tirar dezenas de fotografias. Uma experiência gratificante que compartilho com vocês em fotos e vídeo.

Álbum de fotos: http://picasaweb.google.com.br/TeddSantana/RPPNMataDaSerra

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=SB7vnZBUD4A]

Mais informações em http://www.caminhadasetrilhas.com.br/rppnmatadaserra

Veja como chegar em http://bit.ly/d8znZJ (necessário ter o Google Earth Plugin)

Cachoeira do Eloy

Cachoeira do Eloy, upload feito originalmente por Tedd Santana.

Cachoeira no distrito de Jaciguá, município de Vargem Alta, ES – Brasil

Coordenadas:
20º 44′ 20.18″ latitude sul
41º 00′ 49.29″ longitude oeste

Aventura Rio Claro

Poço do Encontro - Rio Claro

Poço do Encontro - Rio Claro

Eram os últimos metros da caminhada e eu estava prestes a vislumbrar algo bastante incomum. Pulei de pedra em pedra subindo mais alguns metros e lá estava ele: o Poço do Encontro com suas águas límpidas e em cores que variavam entre tons de azul e verde. Foi uma visão incrível. Um verdadeiro troféu para os aventureiros que se embrenharam por estradas de roça, trilhas na mata e pelo leito pedregoso do Rio Claro, na Serra do Caparaó. O caminho havia exigido muito esforço e atenção mas vencemos o desafio de avançar passando por fendas, estreitos, saltando de pedra em pedra e subindo metro a metro.

A aventura teve início um pouco antes da fazenda onde se localiza o Albergue do Cedro. O transporte de Alto Caparaó até ali havia sido feito em veículos 4×4, mas o último trecho da estrada representava risco e tivemos que desembarcar para percorrê-lo a pé. Durante o trajeto havíamos cruzado a divisa entre os estados de Minas Gerais e o Espírito Santo. Então estávamos de volta ao Espírito Santo, mais especificamente no município de Iúna.

Trecho 1

Início: 9h57min - Duração: 22 min - Velocidade média: 2,0 km/h

Um pouco antes das dez horas da manhã iniciamos a caminhada após uma rápida reunião para recebermos as instruções do coordenador João Luiz Madureira e do proprietário Rogério  Morineau. Estávamos a 997 metros de altitude com uma bela vista da serra. O trecho de pouco mais de 700 metros nos elevou a quase 86 metros e serviu de aquecimento para a trilha que viria em seguida.

Trecho 2

Início: 10h18min - Duração: 23 min - Velocidade média: 0,7 km/h

O segundo trecho foi mais lento pois fizemos algumas paradas para conhecer a infraestrutura do local. Visitamos o Albergue do Cedro, passamos próximo ao apiário e conhecemos uma pequena usina que fornece energia para a fazenda utilizando as águas do Rio Claro. No final a trilha ficou mais difícil e culminou com uma travessia no rio. Foi o nosso primeiro contato com aquele que seria nosso companheiro por um bom tempo e nos proporcionaria belas paisagens – o Rio Claro.

A Serra do Caparaó estende-se entre os estados de ES e MG no sentido norte-sul, estando sua maior parte no Espírito Santo. O Rio Claro localiza-se na porção noroeste e deságua no Rio José Pedro, que serve de divisa natural entre os dois estados. O leito do rio foi escavado durante milhares de anos e agora a água corre por entre as pedras quase sem trechos planos. O seu caminho natural é uma sucessão de rochas de diversos tamanhos, com o fundo forrado de cascalhos e cercado por uma exuberante mata.

Trecho 3

Início: 10h41min - Duração: 1 h, 18 min - Velocidade média: 0,9 km/h

Caminhar por entre as pedras, saltando e tendo que se agarrar em alguns pontos para conseguir avançar não é muito fácil. Mas isso foi o melhor tempero para nossa aventura e mostrou como é forte o companheirismo e a solidariedade entre os participantes. Sempre que alguém tinha dificuldades para superar um obstáculo aparecia uma mão amiga disposta a puxá-lo em segurança. Tênis destruído e picada de abelha? Logo aparecia uma fita adesiva e uma pomada para aliviar a dor.

Algumas pessoas mais corajosas aproveitaram os inúmeros represamentos naturais para nadar e mergulhar. A água fria parecia não ter efeito sobre eles. Outros preferiam fotografar e ser fotografados junto à tanta beleza natural. A cada passo descobríamos novos elementos daquele cenário fantástico.

Quando alcançamos o Poço do Encontro já a 1.125 metros de altitude fizemos uma longa parada para o descanso. Enquanto isso nosso lanche era preparado no local mesmo. Como era de se esperar apareceram os “sem-medo-de-água-fria” para mergulhar no poço a partir das rochas em sua margem, algumas a mais de seis metros de altura. Enquanto isso outros estavam descansando, conversando ou fotografando o local. Após o lanche nos despedimos do Rio Claro e partimos para mais uma trilha de mata.

Trecho 4

Início: 13h32min - Duração: 11 min - Velocidade média: 1,1 km/h

A trilha foi por uma mata bem fechada e com uma boa subida. Isso serviu como nosso reaquecimento após a parada no Poço do Encontro. No início passamos por uma belíssima cachoeira e no final estávamos em uma casa de fazenda aparentemente sem moradores.

Trecho 5

Início: 13h43min - Duração: 46 min - Velocidade média: 3 km/h

Uma estrada nos conduziu de volta ao ponto de partida. No caminho passamos por plantações de café, nascentes d’água, flores, animais de fazenda e outros elementos que tornam tão agradáveis caminhadas por estes lugares. O trecho foi quase que totalmente de descida e os mais apressadinhos já falavam sobre o churrasco e a música ao vivo que nos aguardavam em Alto Caparaó. Mas esta já é outra história…

Todas as informações sobre esta aventura, fotos, vídeos e mapas podem ser vistas em http://www.teddsantana.com/aventura_rio_claro.html

Aventura na região do Forno Grande

No domingo, 23 de Maio de 2010, às 4 h e 45 minutos da madrugada, embarquei no carro do fotógrafo J. Benincá com destino a uma das melhores aventuras dos últimos meses – uma caminhada nas trilhas da região do Forno Grande, em Castelo – ES.

Acordar tão cedo sempre é difícil e precisei de uma boa dose de determinação para sair da cama. Para não correr o risco de deixar nada para trás, preparei minha mochila com os equipamentos e outros itens necessários na véspera. Então quando acordei de madrugada foi só tomar banho, me vestir e tomar o café da manhã.

Saindo da Grande Vitória, pegamos a BR 262 em direção à Venda Nova do Imigrante. Mas nosso destino era outro e após uma parada para um café da manhã decente em Pedra Azul, pegamos uma estrada saindo da BR 262 à esquerda com destino ao Caxixe.

Logo estávamos em uma estrada de terra e subindo cada vez mais. O dia já havia clareado e fizemos algumas paradas para fotografar as paisagens. A estrada estava em boas condições e avançamos rápido. Porém como eu ainda não conhecia a região e não consegui nenhuma informação de localização geográfica de nosso destino, não pude preparar um roteiro no GPS. Volta e meia tivemos que pedir informações aos moradores do local para conseguir chegar à Fazenda Sossego.

O local escolhido como ponto de encontro foi uma agradável surpresa. Localizada a 1.125 metros de altitude, nas coordenadas 20°29’5.21″ de latitude Sul e 41° 6’35.01″ de longitude Oeste, a propriedade está preparada para turismo rural e conta com hospedagem do tipo “Cama & Café”, área arborizada com mesas e bancos, um galpão com um fogão à lenha, mesas e cadeiras, banheiros, bica d’água e uma paisagem deslumbrante. No local também se fabrica queijos.

Já havia algumas pessoas aguardando para participar do evento, mas o grupo principal de Cachoeiro de Itapemirim ainda estava a caminho. Aproveitei o tempo livre para fotografar algumas coisas que achei legais.

O café da manhã foi servido, o pessoal de Cachoeiro havia chegado e lá estava eu tomando o terceiro café da manhã do dia. Havia muita animação, pessoas dispostas para a aventura e até algumas crianças. O coordenador do evento, João Luiz pediu que nos juntássemos para ouvir as informações importantes e também apresentar a proprietária da fazenda, dona Maria Rita Casagrande. Em seguida saímos para a grande aventura.

Trecho 1

Início: 8h46min – Duração: 1 h, 18 min – Velocidade média: 3,0 km/h

No início pegamos uma estrada de chão em boas condições, mas poucos quilômetros adiante já estávamos subindo por uma laje de pedra, o que exigiu algum esforço da turma. A cada quilômetro subíamos cada vez mais e a estrada se transformou em uma trilha. A paisagem era uma sucessão de coisas interessantes: lagoas, casas de madeira antigas e abandonadas, fazendas, matas, montanhas, nuvens baixas, neblina, chuva, ou seja, o melhor tempero para uma aventura.

Algumas crianças não tiveram fôlego para prosseguir e retornaram com sua mãe tranquilamente para a fazenda Sossego. Já tinham se aventurado bastante por um dia. Os demais seguiam tranquilamente aproveitado para fotografar tudo o que era interessante.

Após 3,6 quilômetros atingimos um dos pontos mais altos do trajeto: 1.471 metros. Considerando como base a altitude da fazenda em nosso ponto de partida, havíamos subido 346 metros. Como referência, isso é a metade da subida do acampamento Casa Queimada até o Pico da Bandeira pelo lado do Espírito Santo.

Trecho 2

Início: 10h04min – Duração: 40 min – Velocidade média: 2,0 km/h

Com mais um trecho curto chegamos ao local das Oito Cruzes. Eu havia ouvido falar em sete, mas contei cinco agrupadas ao pé da pedra e mais três afastadas. As cruzes são de madeira e tem aproximadamente dez metros de altura. Foram levadas pelos moradores da região em algum rito religioso. Ficou claro que o esforço necessário para tal feito é considerável.

No local enfrentamos as nuvens que teimavam em encobrir a paisagem. Mas em alguns momentos tivemos aberturas que permitiram fotografar e filmar. Aproveitamos também para descansar e curtir o momento.

Trecho 3

Início: 10h43min – Duração: 33 min – Velocidade média: 3,0 Km/h

Em seguida retornamos pela mesma trilha até um ponto onde pegamos uma nova trilha que nos levou ao ponto mais elevado em nosso trajeto. Um último esforço de subida para transpor a colina e estávamos em seu topo com vista para o local das Oito Cruzes. Tivemos que cruzar uma cerca de arame farpado, o que foi fácil pois vários colegas se prontificaram em espaçar os fios para os demais não se arranharem neles.

Trecho 4

Início: 11h16min – Duração: 59 min – Velocidade média: 2,0 km/h

No início desse trecho alcançamos uma área com vegetação bastante densa. Caminhamos pela mata até sairmos em um descampado com enormes pedras que se destacavam no cenário. A turma aproveitou para mais uma rodada de fotografias.

Mais alguns metros e chegamos ao Pico do Cruzeiro. Conforme me explicaram, o cruzeiro foi fixado naquele lugar na década de 50. Lá de cima avista-se todo o Caxixe, mas devido à densa cobertura de nuvens não vimos nada lá em baixo e sim um mar de nuvens abaixo de nossa posição e a perder de vista. Foi mais um dos momentos espetaculares dessa aventura.

Trecho 5

Início: 12h14min – Duração: 1 h, 16 min – Velocidade média: 3,0 Km/h

No retorno pegamos uma nova trilha que descia diretamente da colina com áreas de grama, pedras e alguns pontos alagados. Alguns aventureiros menos cuidadosos escorregaram e caíram. Felizmente nenhum ferimento. Só diversão.

Já no trecho de estrada aproveitei para andar mais rápido e poder chegar logo na fazenda. Afinal havia um almoço nos esperando e eu estava faminto. No total percorremos 11,9 km em 4 h e 44 min com velocidade média de 3 km/h

A aventura naquele lugar foi melhor do que eu esperava. Já penso em voltar lá com o tempo mais aberto para tirar outra leva de fotos e me divertir bastante.

Todas as informações, fotos, vídeos e mapas podem ser vistas em http://www.teddsantana.com/aventura_forno_grande.html


Terceira Subida ao Pico da Bandeira

Sábado, 26 de setembro de 2009. Céu limpo, temperatura agradável e cinco aventureiros a bordo de um carro com destino ao Parque Nacional do Caparaó. A viagem já foi uma aventura por si só com direito a atoleiro e uma a visão maravilhosa da serra do Caparaó com o Pico da Bandeira se destacando.

Serra do Caparaó com o Pico da Bandeira

Serra do Caparaó com o Pico da Bandeira

Atolados

Chegamos ao parque já no início da noite e com a temperatura caindo bastante. Agasalhos vestidos e acampamento montado foi a hora de preparar o rango para garantir as calorias para a subida da madrugada que vinha. Isso tudo a luz de lanternas ou no escuro mesmo, como convinha a cada um. Por ser veterano nessa subida eu já sabia exatamente como seria o dia seguinte. Já Francisco, Aileen, Henrique e Everton eram só empolgação e aquela ansiedade que o desconhecido gera. Fomos dormir sabendo que logo no início da madrugada teríamos que acordar, se quiséssemos ver o sol nascer sentados no Pico da Bandeira.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=GNmJbnX9dLM]

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=GlI_mg-sjXo]

Uma e meia da manhã. Frio, muito frio. Por um instante reluto em abandonar meu saco de dormir. Mas foi só por um instante. Me aprontei dentro da barraca para não ter que encarar um frio maior ainda do lado de fora. Roupas e agasalhos, luvas e gorro e eu estava pronto para sair e incentivar os outros a fazer o mesmo.

Trecho 1


Os preparativos para a saída demoraram um pouco mais do que eu havia previsto e somente às 2 horas e 28 minutos nos embrenhamos pela trilha que deixa o acampamento da Casa Queimada e sobe em direção à Pedra das Duas irmãs. Apesar de ser um trecho curto, a subida logo no início enquanto nossos corpos ainda não se adaptaram à caminhada torna-se exaustiva. Depois de várias paradas para normalizar a respiração ofegante e tirar alguns itens de vestimenta chegamos ao ponto próximo da Pedra das duas Irmãs onde a trilha vira para a esquerda e o terreno fica quase plano. Foram 45 minutos para andar 1,1 km e subir 234 metros.

Dica

Um dos erros mais comuns dos novatos é permanecer com toda a roupa que vestiram antes de sair durante a caminhada na trilha. No início a temperatura corporal está um pouco mais baixa e o frio precisava ser controlado. Porém, durante a caminhada a temperatura corporal aumenta e o corpo começa a produzir suor para resfriá-lo. Nesta situação o excesso de roupas causa dois problemas: impede que a temperatura corporal baixe e faz com que o suor produzido fique acumulado. Durante paradas mais longas ou no final do trajeto as roupas úmidas farão com que o calor do corpo se perca rapidamente para o ambiente. Em casos extremos pode levar à hipotermia. É muito importante manter suas roupas secas o tempo todo.

Trecho 2


No trecho seguinte alcançamos velocidades de até 5 km/h e recuperamos parte do tempo gasto no trecho anterior. Mas o percurso foi curto e rapidamente chegamos a outro trecho mais íngreme. Conseguimos avançar mais 1,3 km mas subimos apenas 158 metros.

Trecho 3


Os primeiros sinais do nascer do dia já podiam ser vistos à leste enquanto percorríamos o penúltimo e mais íngreme trecho. A trilha também ficara mais perigosa e tivemos que aumentar nossa atenção aos obstáculos no caminho. Ao final estávamos no Pico do Calçado e o sol iria nascer em poucos minutos. Foi mais 1,03 km de avanço, 264 metros de subida e 2 horas e meia de duração total. O tempo não seria suficiente para chegarmos ao Pico da Bandeira então optamos por esperar o nascer do sol ali mesmo. A turma estava fascinada com a paisagem, o mar de nuvens e o risco avermelhado na linha do horizonte. Em um certo momento Francisco e Aileen, que são namorados, estavam juntinhos e imóveis, quase que hipnotizados pela beleza daquele instante. Aproveitei e tirei uma foto que agora considero uma das mais bonitas da minha coleção. O sol nasceu e seguimos adiante, pois o Pico da Bandeira nos aguardava não muito longe. Quarenta minutos depois de ter chegado ao Pico do Calçado partimos em direção ao Pico da Bandeira.

Namorados no Pico do Calçado

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=cXJ_zJAiDgA]

Trecho 4


No trecho final há basicamente dois grandes obstáculos. Um é um monte no qual se sobe quase que escalando e outro é a subida final já no próprio Pico da Bandeira. Mas ninguém se importa muito com isso quando se está prestes a atingir o 3º maior ponto culminante do Brasil. Quando se dá conta, já é o Pico da Bandeira. Avançamos mais 1,02 km e subimos mais 41 metros. No total caminhamos por 4,4 km em 4 horas o que dá 1,1 km/h.

Veja outras informações sobre o Pico da Bandeira em http://www.teddsantana.com/especial_picodabandeira.html

Caminhada Fundão à Cachoeira de Piabas

Andarilhos

Depois de um bom tempo sem participar dos eventos dos Andarilhos (antigo Andarilhos Capixabas) devido às altas temperaturas do verão, retornei e fui agraciado com uma caminhada das boas nas proximidades do Goiapabaçu. Em outubro de 2009 eu visitei esta mesma região para conhecer o pico. Agora nosso destino foi outro: uma pequena cachoeira no rio Piabas, mas em um local muito agradável e bonito.
O início foi na estrada que liga Fundão à Santa Teresa, onde recebemos as orientações de nosso estimado coordenador, Antônio Falcão. Em seguida Jôse conduziu o aquecimento e então saímos pela estrada de chão para mais esta aventura.
O grupo apreciou bastante este evento, pois o temperatura estava agradável e o céu com poucas nuvens. A caminhada transcorreu em aproximadamente três horas e meia e com a velocidade média de 4,4 Km/h.
Tivemos três pontos de apoio com água, rapadura e frutas. No final aproveitamos as águas da cachoeira e do pequeno lago formado logo abaixo dela. O almoço foi muito bom e também fizemos a comemoração do aniversário de quatro andarilhos.
Iniciamos o retorno para Vitória em um ótimo horário e conseguimos chegar antes do anoitecer.

Estatísticas:

Tempo em deslocamento: 3h02min

Tempo de parada: 29min

Velocidade média total:  4,4 Km/h

Velocidade média em deslocamento:  5,1 Km/h

Distância percorrida: 15,37 Km

Veja também:

http://www.teddsantana.com/cam_fundao_piabas.html

Caminhada Pontilhão

Dia nublado mas bom para caminhadas. Eu e um amigo embarcamos às 7h10min na Rodoviária de Vitória com destino a um ponto na BR 262, antes de Domingos Martins. A viagem foi rápida e às 8 horas iniciamos a caminhada pela estrada de chão.

Usina Hidrelétrica Jucu

Seguimos pelo percurso traçado no GPS passando pela usina hidrelétrica Jucu. Esta usina, atualmente da EDT Escelsa, entrou em operação em 1909 e é uma das mais antigas do estado. Seguindo adiante, abandonamos a estrada de chão e seguindo pelos trilhos da antiga Estrada de Ferro Leopoldina. Alguns quilômetros depois atravessamos um túnel de aproximadamente 180 metros, construído no início do século 20, quando a estrada ainda se chamava Ferrovia Sul do Espírito Santo. Apesar de não ser muito extenso, o túnel faz uma curva de quase 90º o que impede a vista de suas aberturas quando se está no meio dele. Então caminhamos em meio a uma escuridão total. Já quase na saída do túnel ouvi um ruído constante e imaginei que seria um trem se aproximando. Como não queria passar pela experiência de encontrar com um trem nessas circunstâncias, disparei a correr e gritei para o Júnior, que vinha logo atras de mim, para fazer o mesmo. Enquanto corria o barulho aumentava. Qual não foi nossa surpresa ao sair dele que o barulho vinha das corredeiras do Rio Jucu, logo abaixo de um pontilhão que começa exatamente na saída do túnel. Eu senti um misto de alívio e empolgação. A vista é magnífica. Até neste ponto havíamos andado 3,4 quilômetros em uma hora e treze minutos.

Pontilhão na saída do túnel

O pontilhão era nosso destino principal. Permanecemos no local tempo suficiente para fazermos fotos e filmagens. Caminhar pelo pontilhão, cujos dormentes aparentavam estar podres, causou um pouco de apreensão. Lá em baixo o Rio Jucu descia por suas corredeiras com aspecto lamacento devido às chuvas dos últimos dias.

Rio Jucu

Depois retornamos pelo túnel e seguimos pelos trilhos por 5,3 quilômetros até alcançarmos uma ponte que possibilitou passar sobre o Rio Jucu. Com mais 2,2 quilômetros de subida em estrada de chão, sob chuva leve, e depois pela BR 262 chegamos ao Restaurante Vista Linda, fim de nosso trajeto.

Estatísticas:

Tempo em deslocamento: 2h35min

Tempo de parada: 52min

Velocidade média total:  3,1 Km/h

Velocidade média em deslocamento:  4,2 Km/h

Distância percorrida: 10,9 Km

Veja também:

http://www.teddsantana.com/cam_pontilhao.html

Caminhada e Camping em Santa Leopoldina

Ribeirão dos Pardos

A região onde hoje é Santa Leopoldina foi habitada por volta do ano de 1.535 por jesuítas e índios. A partir de 1.857 chegaram os imigrantes Suíços, alemães, pomeranos e austríacos. Em 1860, o vilarejo recebeu a visita de  D. Pedro II  e do Marques de Tamandaré.  Em função de um porto que surgil em 1.867, a região prosperou e  chegou a ser a 3ª colônia mais populosa do império. O comércio intenso e o casario ao gosto neoclássico que se erguia fizeram com que, em 1882, a colônia se emancipasse.
Fatos curiosos aconteceram neste lugar: quando o telefone começou a ser usado no Rio de Janeiro também já funcionava em Santa Leopoldina. Ela tornou-se o maior empório comercial do Espírito Santo e com ligação direta com a Europa. Para suas festas, vinham pessoas até do Rio de Janeiro. No Carnaval as ruas ficavam multicoloridas de confetes e serpentinas.

Finalmente tive a oportunidade de conhecer um pouco mais desta região. Planejei uma caminhada de dois dias e parti para a aventura. Desembarquei em Santa Leopoldina por volta das 10 horas da manhã de um sábado. Peguei a estrada em direção à Tirol, andei por 4 Km e parei para descançar próxima à entrada do Parque Gruta da Onça. Depois subi a serra da Bragança, uma subida lenta e cansativa, mas que me levou à Igreja São Francisco de Assis, onde parei para preparar meu almoço. Até aquele ponto foram 6 km.

Enquanto terminava de saborear meu miojo, percebi a aproximação de uma senhora idosa, vestida de forma simples e sem nenhum calçado. Em sua mão uma pequena bolsa de cor marrom, que mais tarde percebi que era bolsa de dinheiro. Sua aproximação foi lenta e com paradas para me observar. Creio que a quantidade e as cores vivas dos apetrechos que eu havia colocado sobre um muro lhe chamou à atenção, pois após a formalidade do cumprimento de “Boa Tarde”, ela perguntou se eu esta vendendo aquelas coisas. Imaginei que a vida por aquelas bandas devia ser quase sem novidades e eu estava mesmo chamando a atenção com a minha cozinha improvisada. Por isso ela veio até mim. Perguntei seu nome e conversamos um pouco sobre a igreja e a vida naquele lugar. Ao final, ela foi embora sem poder comprar alguma coisa.

Peguei a estrada para Luxemburgo e encontrei o Parque Cachoeira das Andorinhas, com uma área de camping. Foi bom não ter que montar acampamento na mata. A área de camping era plana e isso eu dificilmente iria conseguir fora dali. Também pude desfrutar de um bom banho de chuveiro. Neste ponto já estava com 11 km de caminhada.

No dia seguinte saí cedo em direção ao Ribeirão dos Pardos. E após mais 6 km de estrada, estava embarcando de volta para Vitória. Foi uma ótima aventura.

Caminhada de Amesbury à Stonehenge

Caminhada de Amesbury à Stonehenge, upload feito originalmente por Tedd Santana.

Terça-feira, 22 de Julho de 2008. Em Londres a manhã estava bonita, céu claro e temperatura agradável. Havíamos acordado bem cedo, pois nosso objetivo para aquele dia estava há exatos 123 quilômetros de distância.

Eu e Lucas Vallory embarcamos na estação de metro no Piccadilly Circus com destino à estação de Waterloo, onde pegamos o trem para Salisbury.

Stonehenge é um lugar que ocupa o imaginário das pessoas há muito tempo. Desde criança tenho ouvido falar desse sítio arqueológico e desejava vê-lo com meus próprios olhos. Quando a oportunidade finalmente chegou, quis fazer da melhor forma possível: com uma caminhada pela região – tendo Stonehenge como o ponto alto – de forma que pudesse ver todo o ambiente  e compor uma memória mais completa do lugar.

Em Salisbury embarcamos em um ônibus para Amesbury, onde nossa primeira providência foi visitar um mercado local para adquirir pilhas reserva para o GPS e um mapa detalhado da região. Meu planejamento lançado na memória do GPS teria sido suficiente para cumprirmos todo o percurso mas um mapa poderia enriquecer a experiência.

Iniciamos nossa caminhada por volta das 9h30min. Na saída de Amesbury passamos pela igreja St Mary and St Melor, onde túmulos muito antigos ficam no gramado em frente à igreja. Lembro de ter visto datas do século 19 nas lápides corroídas pelo tempo.

Seguindo adiante cruzamos o Rio Avon por uma ponte que data de 1775. Apesar de ter mais de dois séculos, esta ponte é um bebê quando comparada com Stonehenge com quase cinco mil anos. O Rio Avon é estreito e com águas muito limpas. Alguns patos nadavam nas partes sem correnteza e a calmaria do lugar completava o cenário.

A Grã-Bretanha  tem paisagens bem interessantes nas áreas rurais, além é claro das grandes cidades como Londres. Todo o seu território foi devidamente mapeado pela Ordnance Survey, que é a agência nacional de mapeamento. No mapa Explorer 130 que adquirimos em Amesbury pude identificar muitas trilhas destinados a caminhadas. Os britânicos tem o hábito de fazer caminhadas por todos os lugares, inclusive vi caminhos demarcados até mesmo em Londres. A trilha por onde seguíamos estava bem conservado, sem obstáculos, sinalizada com placas com as inscrições “Footpath only” e “Public footpath” e com pontes bem feitas e conservadas.

Seguindo adiante passamos por diversas fazendas. O curioso é que não vimos ninguém por lá, apesar de ter sido uma terça-feira. Somente quando o caminho cruzou com alguma estrada secundária em Normanton é que víamos um ou outro carro passar. Outro fato interessante é que não se vê terra sem cobertura vegetal. A paisagem se alterna entre matas baixas e plantações.

Depois de um pouco mais de 90 minutos de caminhada, do alto de uma colina em Wilsford, avistamos Stonehenge pela primeira vez. Lá em baixo na planície, a cerca de dois quilômetros, estava o complexo monolítico que tanto desejei visitar. Foi um momento de emoção, pois até então conhecíamos Stonehenge pelas fotos e documentários, mas dali em diante seríamos testemunhas de sua existência.

Descendo a colina passamos pela fazenda Springbottom, que me pareceu ser um haras. Em seus pastos estavam cavalos muito bem tratados e com aparência de serem bem caros. Adiante iniciamos a subida de mais uma colina e, por todos os lados nas plantações estavam túmulos da era do bronze. “The Normanton Down Barrows” fica a um quilômetro ao sul de Stonehenge e é um dos mais importantes cemitérios das eras neolíticas e do bronze em território britânico. Os montes sobre onde foram depositados os corpos são de várias formas, sendo as mais comuns “prato”, “sino” e “disco”. Desde a saída de Amesbury estávamos nos deparando com lugares e coisas cada vez mais antigos.

Cortando a região há duas importantes rodovias: a “A303(T) e a “A344”. Stonehenge fica próximo ao ponto onde elas se tornam uma, mas o acesso se dá pela A344. Como todo ponto turístico por onde passamos na Inglaterra, lá também havia uma ótima infra-estrutura para os visitantes. Um amplo estacionamento, uma loja de souvenir, uma lanchonete e a bilheteria ficam do lado oposto da pista. Assim que se passa pela bilheteria, a travessia pela rodovia se faz por um túnel com toda segurança. Do outro lado, logo próximo à saída do túnel está o tão famoso agrupamento de rochas.

Meses antes de nossa viagem para a Europa, tive a oportunidade de assistir a um documentário da National Geographics onde arqueólogos e outros estudiosos de Stonehenge relataram suas últimas descobertas. O documentário apresentou encenações das possíveis atividades do povo que habitara a região há quase cinco mil anos.

Estando ali tão perto, quase podendo tocar as pedras, toda a história de que vi na NG veio à minha mente. A construção daquele monumento em uma época com tão poucos recursos foi realmente um grande feito. Me fez pensar em como o ser humano se esforça para construir. Mas, na mesma proporção, ele também se esforça para destruir.

Delimitando a área ao redor das pedras por onde visitantes podem passar há uma corda sustentada por bastões a uns 60 centímetros do chão. Isso é tudo que protege as pedras da curiosidade dos turistas. Fico pensando como seria se Stonehenge ficasse no Brasil.

Após um bom tempo fotografando e apreciando o lugar, retomamos nossa caminhada de volta para Amesbury, mas por outro caminho – mais curto. No total foram 13 quilômetros de caminhada e uma experiência que nunca esquecerei.

A trilha e outras informações estão disponíveis no link http://www.everytrail.com/view_trip.php?trip_id=75530 .

O álbum de fotos está disponível em http://www.flickr.com/photos/teddsantana/sets/72157623054617299/

Homenagem

Esta aventura se deu no exato dia do terceiro aniversário da morte de Jean Charles de Menezes, vítima de erro da polícia britânica que o confundiu com um homem bomba e o matou a tiros em uma estação de metro em Londres.

Fica minha homenagem a este brasileiro que se aventurava em Londres em busca de uma vida melhor.

Mais aventuras em http://www.teddsantana.com