A luz que atravessa as lentes e é capturada pela câmera cria imagens de momentos únicos.

Então estes momentos tornam-se especiais, pois ganham eternidade.

Isto é fotografia.

Aventuras

Conheça “El Caminito Del Rey”, na Espanha

El Caminito del Rey é uma passagem cravada nas paredes dos desfiladeiros de Chorro e Gaitanejo, a norte de Málaga, na Espanha.
A construção, concluída em 1905, foi feita enquanto era construída uma hidrelétrica no rio Guadalhorce. Os trabalhadores necessitavam de uma passagem que cruzasse os desfiladeiros para o transporte de materiais, vigilância e manutenção do canal.
Em 1921 o rei Afonso XIII teve que cruzar o ‘Caminito’ para a inauguração da Represa Conde del Guadalhorce, e desde então a rota passou a ser conhecida por seu nome atual.

Entretanto, o abandono e a falta de manutenção fizeram com que a estrutura da estrada ficasse comprometida, causando até o desmoronamento de algumas das etapas. Por esse motivo, El Caminito del Rey é o ponto favorito dos muitos turistas que procuram emoções fortes.

Após a morte de quatro turistas em dois acidentes ocorridos em 1999 e 2000, o governo local fechou as entradas. No entanto, os aventureiros encontram meios de entrar no local.

Fonte: Wikipedia [http://pt.wikipedia.org/wiki/El_Caminito_del_Rey]

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=y1Nd1qtk1Go]

Aventura Rio Claro

Poço do Encontro - Rio Claro

Poço do Encontro - Rio Claro

Eram os últimos metros da caminhada e eu estava prestes a vislumbrar algo bastante incomum. Pulei de pedra em pedra subindo mais alguns metros e lá estava ele: o Poço do Encontro com suas águas límpidas e em cores que variavam entre tons de azul e verde. Foi uma visão incrível. Um verdadeiro troféu para os aventureiros que se embrenharam por estradas de roça, trilhas na mata e pelo leito pedregoso do Rio Claro, na Serra do Caparaó. O caminho havia exigido muito esforço e atenção mas vencemos o desafio de avançar passando por fendas, estreitos, saltando de pedra em pedra e subindo metro a metro.

A aventura teve início um pouco antes da fazenda onde se localiza o Albergue do Cedro. O transporte de Alto Caparaó até ali havia sido feito em veículos 4×4, mas o último trecho da estrada representava risco e tivemos que desembarcar para percorrê-lo a pé. Durante o trajeto havíamos cruzado a divisa entre os estados de Minas Gerais e o Espírito Santo. Então estávamos de volta ao Espírito Santo, mais especificamente no município de Iúna.

Trecho 1

Início: 9h57min - Duração: 22 min - Velocidade média: 2,0 km/h

Um pouco antes das dez horas da manhã iniciamos a caminhada após uma rápida reunião para recebermos as instruções do coordenador João Luiz Madureira e do proprietário Rogério  Morineau. Estávamos a 997 metros de altitude com uma bela vista da serra. O trecho de pouco mais de 700 metros nos elevou a quase 86 metros e serviu de aquecimento para a trilha que viria em seguida.

Trecho 2

Início: 10h18min - Duração: 23 min - Velocidade média: 0,7 km/h

O segundo trecho foi mais lento pois fizemos algumas paradas para conhecer a infraestrutura do local. Visitamos o Albergue do Cedro, passamos próximo ao apiário e conhecemos uma pequena usina que fornece energia para a fazenda utilizando as águas do Rio Claro. No final a trilha ficou mais difícil e culminou com uma travessia no rio. Foi o nosso primeiro contato com aquele que seria nosso companheiro por um bom tempo e nos proporcionaria belas paisagens – o Rio Claro.

A Serra do Caparaó estende-se entre os estados de ES e MG no sentido norte-sul, estando sua maior parte no Espírito Santo. O Rio Claro localiza-se na porção noroeste e deságua no Rio José Pedro, que serve de divisa natural entre os dois estados. O leito do rio foi escavado durante milhares de anos e agora a água corre por entre as pedras quase sem trechos planos. O seu caminho natural é uma sucessão de rochas de diversos tamanhos, com o fundo forrado de cascalhos e cercado por uma exuberante mata.

Trecho 3

Início: 10h41min - Duração: 1 h, 18 min - Velocidade média: 0,9 km/h

Caminhar por entre as pedras, saltando e tendo que se agarrar em alguns pontos para conseguir avançar não é muito fácil. Mas isso foi o melhor tempero para nossa aventura e mostrou como é forte o companheirismo e a solidariedade entre os participantes. Sempre que alguém tinha dificuldades para superar um obstáculo aparecia uma mão amiga disposta a puxá-lo em segurança. Tênis destruído e picada de abelha? Logo aparecia uma fita adesiva e uma pomada para aliviar a dor.

Algumas pessoas mais corajosas aproveitaram os inúmeros represamentos naturais para nadar e mergulhar. A água fria parecia não ter efeito sobre eles. Outros preferiam fotografar e ser fotografados junto à tanta beleza natural. A cada passo descobríamos novos elementos daquele cenário fantástico.

Quando alcançamos o Poço do Encontro já a 1.125 metros de altitude fizemos uma longa parada para o descanso. Enquanto isso nosso lanche era preparado no local mesmo. Como era de se esperar apareceram os “sem-medo-de-água-fria” para mergulhar no poço a partir das rochas em sua margem, algumas a mais de seis metros de altura. Enquanto isso outros estavam descansando, conversando ou fotografando o local. Após o lanche nos despedimos do Rio Claro e partimos para mais uma trilha de mata.

Trecho 4

Início: 13h32min - Duração: 11 min - Velocidade média: 1,1 km/h

A trilha foi por uma mata bem fechada e com uma boa subida. Isso serviu como nosso reaquecimento após a parada no Poço do Encontro. No início passamos por uma belíssima cachoeira e no final estávamos em uma casa de fazenda aparentemente sem moradores.

Trecho 5

Início: 13h43min - Duração: 46 min - Velocidade média: 3 km/h

Uma estrada nos conduziu de volta ao ponto de partida. No caminho passamos por plantações de café, nascentes d’água, flores, animais de fazenda e outros elementos que tornam tão agradáveis caminhadas por estes lugares. O trecho foi quase que totalmente de descida e os mais apressadinhos já falavam sobre o churrasco e a música ao vivo que nos aguardavam em Alto Caparaó. Mas esta já é outra história…

Todas as informações sobre esta aventura, fotos, vídeos e mapas podem ser vistas em http://www.teddsantana.com/aventura_rio_claro.html

Aventura na região do Forno Grande

No domingo, 23 de Maio de 2010, às 4 h e 45 minutos da madrugada, embarquei no carro do fotógrafo J. Benincá com destino a uma das melhores aventuras dos últimos meses – uma caminhada nas trilhas da região do Forno Grande, em Castelo – ES.

Acordar tão cedo sempre é difícil e precisei de uma boa dose de determinação para sair da cama. Para não correr o risco de deixar nada para trás, preparei minha mochila com os equipamentos e outros itens necessários na véspera. Então quando acordei de madrugada foi só tomar banho, me vestir e tomar o café da manhã.

Saindo da Grande Vitória, pegamos a BR 262 em direção à Venda Nova do Imigrante. Mas nosso destino era outro e após uma parada para um café da manhã decente em Pedra Azul, pegamos uma estrada saindo da BR 262 à esquerda com destino ao Caxixe.

Logo estávamos em uma estrada de terra e subindo cada vez mais. O dia já havia clareado e fizemos algumas paradas para fotografar as paisagens. A estrada estava em boas condições e avançamos rápido. Porém como eu ainda não conhecia a região e não consegui nenhuma informação de localização geográfica de nosso destino, não pude preparar um roteiro no GPS. Volta e meia tivemos que pedir informações aos moradores do local para conseguir chegar à Fazenda Sossego.

O local escolhido como ponto de encontro foi uma agradável surpresa. Localizada a 1.125 metros de altitude, nas coordenadas 20°29’5.21″ de latitude Sul e 41° 6’35.01″ de longitude Oeste, a propriedade está preparada para turismo rural e conta com hospedagem do tipo “Cama & Café”, área arborizada com mesas e bancos, um galpão com um fogão à lenha, mesas e cadeiras, banheiros, bica d’água e uma paisagem deslumbrante. No local também se fabrica queijos.

Já havia algumas pessoas aguardando para participar do evento, mas o grupo principal de Cachoeiro de Itapemirim ainda estava a caminho. Aproveitei o tempo livre para fotografar algumas coisas que achei legais.

O café da manhã foi servido, o pessoal de Cachoeiro havia chegado e lá estava eu tomando o terceiro café da manhã do dia. Havia muita animação, pessoas dispostas para a aventura e até algumas crianças. O coordenador do evento, João Luiz pediu que nos juntássemos para ouvir as informações importantes e também apresentar a proprietária da fazenda, dona Maria Rita Casagrande. Em seguida saímos para a grande aventura.

Trecho 1

Início: 8h46min – Duração: 1 h, 18 min – Velocidade média: 3,0 km/h

No início pegamos uma estrada de chão em boas condições, mas poucos quilômetros adiante já estávamos subindo por uma laje de pedra, o que exigiu algum esforço da turma. A cada quilômetro subíamos cada vez mais e a estrada se transformou em uma trilha. A paisagem era uma sucessão de coisas interessantes: lagoas, casas de madeira antigas e abandonadas, fazendas, matas, montanhas, nuvens baixas, neblina, chuva, ou seja, o melhor tempero para uma aventura.

Algumas crianças não tiveram fôlego para prosseguir e retornaram com sua mãe tranquilamente para a fazenda Sossego. Já tinham se aventurado bastante por um dia. Os demais seguiam tranquilamente aproveitado para fotografar tudo o que era interessante.

Após 3,6 quilômetros atingimos um dos pontos mais altos do trajeto: 1.471 metros. Considerando como base a altitude da fazenda em nosso ponto de partida, havíamos subido 346 metros. Como referência, isso é a metade da subida do acampamento Casa Queimada até o Pico da Bandeira pelo lado do Espírito Santo.

Trecho 2

Início: 10h04min – Duração: 40 min – Velocidade média: 2,0 km/h

Com mais um trecho curto chegamos ao local das Oito Cruzes. Eu havia ouvido falar em sete, mas contei cinco agrupadas ao pé da pedra e mais três afastadas. As cruzes são de madeira e tem aproximadamente dez metros de altura. Foram levadas pelos moradores da região em algum rito religioso. Ficou claro que o esforço necessário para tal feito é considerável.

No local enfrentamos as nuvens que teimavam em encobrir a paisagem. Mas em alguns momentos tivemos aberturas que permitiram fotografar e filmar. Aproveitamos também para descansar e curtir o momento.

Trecho 3

Início: 10h43min – Duração: 33 min – Velocidade média: 3,0 Km/h

Em seguida retornamos pela mesma trilha até um ponto onde pegamos uma nova trilha que nos levou ao ponto mais elevado em nosso trajeto. Um último esforço de subida para transpor a colina e estávamos em seu topo com vista para o local das Oito Cruzes. Tivemos que cruzar uma cerca de arame farpado, o que foi fácil pois vários colegas se prontificaram em espaçar os fios para os demais não se arranharem neles.

Trecho 4

Início: 11h16min – Duração: 59 min – Velocidade média: 2,0 km/h

No início desse trecho alcançamos uma área com vegetação bastante densa. Caminhamos pela mata até sairmos em um descampado com enormes pedras que se destacavam no cenário. A turma aproveitou para mais uma rodada de fotografias.

Mais alguns metros e chegamos ao Pico do Cruzeiro. Conforme me explicaram, o cruzeiro foi fixado naquele lugar na década de 50. Lá de cima avista-se todo o Caxixe, mas devido à densa cobertura de nuvens não vimos nada lá em baixo e sim um mar de nuvens abaixo de nossa posição e a perder de vista. Foi mais um dos momentos espetaculares dessa aventura.

Trecho 5

Início: 12h14min – Duração: 1 h, 16 min – Velocidade média: 3,0 Km/h

No retorno pegamos uma nova trilha que descia diretamente da colina com áreas de grama, pedras e alguns pontos alagados. Alguns aventureiros menos cuidadosos escorregaram e caíram. Felizmente nenhum ferimento. Só diversão.

Já no trecho de estrada aproveitei para andar mais rápido e poder chegar logo na fazenda. Afinal havia um almoço nos esperando e eu estava faminto. No total percorremos 11,9 km em 4 h e 44 min com velocidade média de 3 km/h

A aventura naquele lugar foi melhor do que eu esperava. Já penso em voltar lá com o tempo mais aberto para tirar outra leva de fotos e me divertir bastante.

Todas as informações, fotos, vídeos e mapas podem ser vistas em http://www.teddsantana.com/aventura_forno_grande.html


Terceira Subida ao Pico da Bandeira

Sábado, 26 de setembro de 2009. Céu limpo, temperatura agradável e cinco aventureiros a bordo de um carro com destino ao Parque Nacional do Caparaó. A viagem já foi uma aventura por si só com direito a atoleiro e uma a visão maravilhosa da serra do Caparaó com o Pico da Bandeira se destacando.

Serra do Caparaó com o Pico da Bandeira

Serra do Caparaó com o Pico da Bandeira

Atolados

Chegamos ao parque já no início da noite e com a temperatura caindo bastante. Agasalhos vestidos e acampamento montado foi a hora de preparar o rango para garantir as calorias para a subida da madrugada que vinha. Isso tudo a luz de lanternas ou no escuro mesmo, como convinha a cada um. Por ser veterano nessa subida eu já sabia exatamente como seria o dia seguinte. Já Francisco, Aileen, Henrique e Everton eram só empolgação e aquela ansiedade que o desconhecido gera. Fomos dormir sabendo que logo no início da madrugada teríamos que acordar, se quiséssemos ver o sol nascer sentados no Pico da Bandeira.

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Uma e meia da manhã. Frio, muito frio. Por um instante reluto em abandonar meu saco de dormir. Mas foi só por um instante. Me aprontei dentro da barraca para não ter que encarar um frio maior ainda do lado de fora. Roupas e agasalhos, luvas e gorro e eu estava pronto para sair e incentivar os outros a fazer o mesmo.

Trecho 1


Os preparativos para a saída demoraram um pouco mais do que eu havia previsto e somente às 2 horas e 28 minutos nos embrenhamos pela trilha que deixa o acampamento da Casa Queimada e sobe em direção à Pedra das Duas irmãs. Apesar de ser um trecho curto, a subida logo no início enquanto nossos corpos ainda não se adaptaram à caminhada torna-se exaustiva. Depois de várias paradas para normalizar a respiração ofegante e tirar alguns itens de vestimenta chegamos ao ponto próximo da Pedra das duas Irmãs onde a trilha vira para a esquerda e o terreno fica quase plano. Foram 45 minutos para andar 1,1 km e subir 234 metros.

Dica

Um dos erros mais comuns dos novatos é permanecer com toda a roupa que vestiram antes de sair durante a caminhada na trilha. No início a temperatura corporal está um pouco mais baixa e o frio precisava ser controlado. Porém, durante a caminhada a temperatura corporal aumenta e o corpo começa a produzir suor para resfriá-lo. Nesta situação o excesso de roupas causa dois problemas: impede que a temperatura corporal baixe e faz com que o suor produzido fique acumulado. Durante paradas mais longas ou no final do trajeto as roupas úmidas farão com que o calor do corpo se perca rapidamente para o ambiente. Em casos extremos pode levar à hipotermia. É muito importante manter suas roupas secas o tempo todo.

Trecho 2


No trecho seguinte alcançamos velocidades de até 5 km/h e recuperamos parte do tempo gasto no trecho anterior. Mas o percurso foi curto e rapidamente chegamos a outro trecho mais íngreme. Conseguimos avançar mais 1,3 km mas subimos apenas 158 metros.

Trecho 3


Os primeiros sinais do nascer do dia já podiam ser vistos à leste enquanto percorríamos o penúltimo e mais íngreme trecho. A trilha também ficara mais perigosa e tivemos que aumentar nossa atenção aos obstáculos no caminho. Ao final estávamos no Pico do Calçado e o sol iria nascer em poucos minutos. Foi mais 1,03 km de avanço, 264 metros de subida e 2 horas e meia de duração total. O tempo não seria suficiente para chegarmos ao Pico da Bandeira então optamos por esperar o nascer do sol ali mesmo. A turma estava fascinada com a paisagem, o mar de nuvens e o risco avermelhado na linha do horizonte. Em um certo momento Francisco e Aileen, que são namorados, estavam juntinhos e imóveis, quase que hipnotizados pela beleza daquele instante. Aproveitei e tirei uma foto que agora considero uma das mais bonitas da minha coleção. O sol nasceu e seguimos adiante, pois o Pico da Bandeira nos aguardava não muito longe. Quarenta minutos depois de ter chegado ao Pico do Calçado partimos em direção ao Pico da Bandeira.

Namorados no Pico do Calçado

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Trecho 4


No trecho final há basicamente dois grandes obstáculos. Um é um monte no qual se sobe quase que escalando e outro é a subida final já no próprio Pico da Bandeira. Mas ninguém se importa muito com isso quando se está prestes a atingir o 3º maior ponto culminante do Brasil. Quando se dá conta, já é o Pico da Bandeira. Avançamos mais 1,02 km e subimos mais 41 metros. No total caminhamos por 4,4 km em 4 horas o que dá 1,1 km/h.

Veja outras informações sobre o Pico da Bandeira em http://www.teddsantana.com/especial_picodabandeira.html

Caminhada Pontilhão

Dia nublado mas bom para caminhadas. Eu e um amigo embarcamos às 7h10min na Rodoviária de Vitória com destino a um ponto na BR 262, antes de Domingos Martins. A viagem foi rápida e às 8 horas iniciamos a caminhada pela estrada de chão.

Usina Hidrelétrica Jucu

Seguimos pelo percurso traçado no GPS passando pela usina hidrelétrica Jucu. Esta usina, atualmente da EDT Escelsa, entrou em operação em 1909 e é uma das mais antigas do estado. Seguindo adiante, abandonamos a estrada de chão e seguindo pelos trilhos da antiga Estrada de Ferro Leopoldina. Alguns quilômetros depois atravessamos um túnel de aproximadamente 180 metros, construído no início do século 20, quando a estrada ainda se chamava Ferrovia Sul do Espírito Santo. Apesar de não ser muito extenso, o túnel faz uma curva de quase 90º o que impede a vista de suas aberturas quando se está no meio dele. Então caminhamos em meio a uma escuridão total. Já quase na saída do túnel ouvi um ruído constante e imaginei que seria um trem se aproximando. Como não queria passar pela experiência de encontrar com um trem nessas circunstâncias, disparei a correr e gritei para o Júnior, que vinha logo atras de mim, para fazer o mesmo. Enquanto corria o barulho aumentava. Qual não foi nossa surpresa ao sair dele que o barulho vinha das corredeiras do Rio Jucu, logo abaixo de um pontilhão que começa exatamente na saída do túnel. Eu senti um misto de alívio e empolgação. A vista é magnífica. Até neste ponto havíamos andado 3,4 quilômetros em uma hora e treze minutos.

Pontilhão na saída do túnel

O pontilhão era nosso destino principal. Permanecemos no local tempo suficiente para fazermos fotos e filmagens. Caminhar pelo pontilhão, cujos dormentes aparentavam estar podres, causou um pouco de apreensão. Lá em baixo o Rio Jucu descia por suas corredeiras com aspecto lamacento devido às chuvas dos últimos dias.

Rio Jucu

Depois retornamos pelo túnel e seguimos pelos trilhos por 5,3 quilômetros até alcançarmos uma ponte que possibilitou passar sobre o Rio Jucu. Com mais 2,2 quilômetros de subida em estrada de chão, sob chuva leve, e depois pela BR 262 chegamos ao Restaurante Vista Linda, fim de nosso trajeto.

Estatísticas:

Tempo em deslocamento: 2h35min

Tempo de parada: 52min

Velocidade média total:  3,1 Km/h

Velocidade média em deslocamento:  4,2 Km/h

Distância percorrida: 10,9 Km

Veja também:

http://www.teddsantana.com/cam_pontilhao.html

Caminhada e Camping em Santa Leopoldina

Ribeirão dos Pardos

A região onde hoje é Santa Leopoldina foi habitada por volta do ano de 1.535 por jesuítas e índios. A partir de 1.857 chegaram os imigrantes Suíços, alemães, pomeranos e austríacos. Em 1860, o vilarejo recebeu a visita de  D. Pedro II  e do Marques de Tamandaré.  Em função de um porto que surgil em 1.867, a região prosperou e  chegou a ser a 3ª colônia mais populosa do império. O comércio intenso e o casario ao gosto neoclássico que se erguia fizeram com que, em 1882, a colônia se emancipasse.
Fatos curiosos aconteceram neste lugar: quando o telefone começou a ser usado no Rio de Janeiro também já funcionava em Santa Leopoldina. Ela tornou-se o maior empório comercial do Espírito Santo e com ligação direta com a Europa. Para suas festas, vinham pessoas até do Rio de Janeiro. No Carnaval as ruas ficavam multicoloridas de confetes e serpentinas.

Finalmente tive a oportunidade de conhecer um pouco mais desta região. Planejei uma caminhada de dois dias e parti para a aventura. Desembarquei em Santa Leopoldina por volta das 10 horas da manhã de um sábado. Peguei a estrada em direção à Tirol, andei por 4 Km e parei para descançar próxima à entrada do Parque Gruta da Onça. Depois subi a serra da Bragança, uma subida lenta e cansativa, mas que me levou à Igreja São Francisco de Assis, onde parei para preparar meu almoço. Até aquele ponto foram 6 km.

Enquanto terminava de saborear meu miojo, percebi a aproximação de uma senhora idosa, vestida de forma simples e sem nenhum calçado. Em sua mão uma pequena bolsa de cor marrom, que mais tarde percebi que era bolsa de dinheiro. Sua aproximação foi lenta e com paradas para me observar. Creio que a quantidade e as cores vivas dos apetrechos que eu havia colocado sobre um muro lhe chamou à atenção, pois após a formalidade do cumprimento de “Boa Tarde”, ela perguntou se eu esta vendendo aquelas coisas. Imaginei que a vida por aquelas bandas devia ser quase sem novidades e eu estava mesmo chamando a atenção com a minha cozinha improvisada. Por isso ela veio até mim. Perguntei seu nome e conversamos um pouco sobre a igreja e a vida naquele lugar. Ao final, ela foi embora sem poder comprar alguma coisa.

Peguei a estrada para Luxemburgo e encontrei o Parque Cachoeira das Andorinhas, com uma área de camping. Foi bom não ter que montar acampamento na mata. A área de camping era plana e isso eu dificilmente iria conseguir fora dali. Também pude desfrutar de um bom banho de chuveiro. Neste ponto já estava com 11 km de caminhada.

No dia seguinte saí cedo em direção ao Ribeirão dos Pardos. E após mais 6 km de estrada, estava embarcando de volta para Vitória. Foi uma ótima aventura.

Caminhada de Amesbury à Stonehenge

Caminhada de Amesbury à Stonehenge, upload feito originalmente por Tedd Santana.

Terça-feira, 22 de Julho de 2008. Em Londres a manhã estava bonita, céu claro e temperatura agradável. Havíamos acordado bem cedo, pois nosso objetivo para aquele dia estava há exatos 123 quilômetros de distância.

Eu e Lucas Vallory embarcamos na estação de metro no Piccadilly Circus com destino à estação de Waterloo, onde pegamos o trem para Salisbury.

Stonehenge é um lugar que ocupa o imaginário das pessoas há muito tempo. Desde criança tenho ouvido falar desse sítio arqueológico e desejava vê-lo com meus próprios olhos. Quando a oportunidade finalmente chegou, quis fazer da melhor forma possível: com uma caminhada pela região – tendo Stonehenge como o ponto alto – de forma que pudesse ver todo o ambiente  e compor uma memória mais completa do lugar.

Em Salisbury embarcamos em um ônibus para Amesbury, onde nossa primeira providência foi visitar um mercado local para adquirir pilhas reserva para o GPS e um mapa detalhado da região. Meu planejamento lançado na memória do GPS teria sido suficiente para cumprirmos todo o percurso mas um mapa poderia enriquecer a experiência.

Iniciamos nossa caminhada por volta das 9h30min. Na saída de Amesbury passamos pela igreja St Mary and St Melor, onde túmulos muito antigos ficam no gramado em frente à igreja. Lembro de ter visto datas do século 19 nas lápides corroídas pelo tempo.

Seguindo adiante cruzamos o Rio Avon por uma ponte que data de 1775. Apesar de ter mais de dois séculos, esta ponte é um bebê quando comparada com Stonehenge com quase cinco mil anos. O Rio Avon é estreito e com águas muito limpas. Alguns patos nadavam nas partes sem correnteza e a calmaria do lugar completava o cenário.

A Grã-Bretanha  tem paisagens bem interessantes nas áreas rurais, além é claro das grandes cidades como Londres. Todo o seu território foi devidamente mapeado pela Ordnance Survey, que é a agência nacional de mapeamento. No mapa Explorer 130 que adquirimos em Amesbury pude identificar muitas trilhas destinados a caminhadas. Os britânicos tem o hábito de fazer caminhadas por todos os lugares, inclusive vi caminhos demarcados até mesmo em Londres. A trilha por onde seguíamos estava bem conservado, sem obstáculos, sinalizada com placas com as inscrições “Footpath only” e “Public footpath” e com pontes bem feitas e conservadas.

Seguindo adiante passamos por diversas fazendas. O curioso é que não vimos ninguém por lá, apesar de ter sido uma terça-feira. Somente quando o caminho cruzou com alguma estrada secundária em Normanton é que víamos um ou outro carro passar. Outro fato interessante é que não se vê terra sem cobertura vegetal. A paisagem se alterna entre matas baixas e plantações.

Depois de um pouco mais de 90 minutos de caminhada, do alto de uma colina em Wilsford, avistamos Stonehenge pela primeira vez. Lá em baixo na planície, a cerca de dois quilômetros, estava o complexo monolítico que tanto desejei visitar. Foi um momento de emoção, pois até então conhecíamos Stonehenge pelas fotos e documentários, mas dali em diante seríamos testemunhas de sua existência.

Descendo a colina passamos pela fazenda Springbottom, que me pareceu ser um haras. Em seus pastos estavam cavalos muito bem tratados e com aparência de serem bem caros. Adiante iniciamos a subida de mais uma colina e, por todos os lados nas plantações estavam túmulos da era do bronze. “The Normanton Down Barrows” fica a um quilômetro ao sul de Stonehenge e é um dos mais importantes cemitérios das eras neolíticas e do bronze em território britânico. Os montes sobre onde foram depositados os corpos são de várias formas, sendo as mais comuns “prato”, “sino” e “disco”. Desde a saída de Amesbury estávamos nos deparando com lugares e coisas cada vez mais antigos.

Cortando a região há duas importantes rodovias: a “A303(T) e a “A344”. Stonehenge fica próximo ao ponto onde elas se tornam uma, mas o acesso se dá pela A344. Como todo ponto turístico por onde passamos na Inglaterra, lá também havia uma ótima infra-estrutura para os visitantes. Um amplo estacionamento, uma loja de souvenir, uma lanchonete e a bilheteria ficam do lado oposto da pista. Assim que se passa pela bilheteria, a travessia pela rodovia se faz por um túnel com toda segurança. Do outro lado, logo próximo à saída do túnel está o tão famoso agrupamento de rochas.

Meses antes de nossa viagem para a Europa, tive a oportunidade de assistir a um documentário da National Geographics onde arqueólogos e outros estudiosos de Stonehenge relataram suas últimas descobertas. O documentário apresentou encenações das possíveis atividades do povo que habitara a região há quase cinco mil anos.

Estando ali tão perto, quase podendo tocar as pedras, toda a história de que vi na NG veio à minha mente. A construção daquele monumento em uma época com tão poucos recursos foi realmente um grande feito. Me fez pensar em como o ser humano se esforça para construir. Mas, na mesma proporção, ele também se esforça para destruir.

Delimitando a área ao redor das pedras por onde visitantes podem passar há uma corda sustentada por bastões a uns 60 centímetros do chão. Isso é tudo que protege as pedras da curiosidade dos turistas. Fico pensando como seria se Stonehenge ficasse no Brasil.

Após um bom tempo fotografando e apreciando o lugar, retomamos nossa caminhada de volta para Amesbury, mas por outro caminho – mais curto. No total foram 13 quilômetros de caminhada e uma experiência que nunca esquecerei.

A trilha e outras informações estão disponíveis no link http://www.everytrail.com/view_trip.php?trip_id=75530 .

O álbum de fotos está disponível em http://www.flickr.com/photos/teddsantana/sets/72157623054617299/

Homenagem

Esta aventura se deu no exato dia do terceiro aniversário da morte de Jean Charles de Menezes, vítima de erro da polícia britânica que o confundiu com um homem bomba e o matou a tiros em uma estação de metro em Londres.

Fica minha homenagem a este brasileiro que se aventurava em Londres em busca de uma vida melhor.

Mais aventuras em http://www.teddsantana.com

Segunda Subida ao Pico da Bandeira

Vista do ES a partir do Pico da Bandeira

Vista do ES a partir do Pico da Bandeira

No final do dia 27 de Julho de 2007 eu finalmente cheguei à Pedra Menina depois de três ônibus e horas de espera em Guaçuí e Espera Feliz, esta última já em Minas Gerais. Era minha segunda viagem ao Parque Nacional do Caparaó e desta vez havia feito opção por me hospedar em uma pousada em Pedra Menina e subir para o parque no dia seguinte. Além disso também me preparei para fazer uma travessia entrando pelo lado do Espírito Santo e saindo pelo lado de Minas Gerais.

Na pousada encontrei com um grupo de umas vinte pessoas que haviam chegado naquele mesmo dia e que passaram o dia visitando cachoeiras no parque. Conversarmos e logo descobri que parte do grupo pretendia subir a serra até a Casa Queimada, acampar e fazer a subida até o Pico da Bandeira pela madrugada. O transporte até a Casa Queimada já estava contratado e iriam sair por volta das 22 horas. Eles estavam empolgados mas não preparados. Ninguém conhecia a trilha, o tempo estava fechado e chovia fino e nem todos tinham lanternas e agasalhos impermeáveis. Eu os aconselhei a não subir naquelas condições. Depois de alguma conversa, eles me convenceram a ir com eles e servir como guia. Achei por bem mudar meus planos e dar o apoio necessário já que eles estavam determinados a não desistir.

Já eram quase 23 horas quando fizemos nossos registros na portaria do parque. Na chegada na área de camping Casa Queimada tratamos de montar nossas barracas rapidamente para aproveitar ao máximo as poucas horas de sono que teríamos. Conforme programado acordamos no início da madrugada e começamos a subida após um café da manhã rápido. Estava muito frio mas a chuva havia dado uma trégua. No grupo éramos seis homens e três mulheres. A subida transcorreu sem nenhum incidente, mas foi lenta pois parte da turma não estava acostumada a caminhadas exaustivas como aquela.

Por volta das 6 e meia da manhã já estávamos bem próximos do Pico e o nascer do Sol se aproximava. Quando atingimos o pico já estava claro mas o tempo encoberto não nos permitiu ver o sol nascendo. O vento estava muito forte e as rajadas chegavam a tirar o equilíbrio de quem estava em área aberta. Poucos permaneciam na parte mais alta do pico, pois o frio combinado com o vento forçou os visitantes a se abrigarem atrás da base de concreto da torre. É nessas horas que uma vestimenta adequada como a que eu estava usando faz toda a diferença. Com três camadas sendo que a mais externa é totalmente impermeável, esta vestimenta protege do vento e do frio mantendo uma temperatura corporal bastante confortável. Apesar do pouco tempo de permanência no pico, 30 minutos, já havia alguns no grupo com sinais de princípio de hipotermia.

Sugeri que iniciássemos a descida o quanto antes para não piorar a situação. Mesmo abrigados do vento os sintomas da hipotermia só iriam piorar, pois não estavam se movimentando para produzir calor. Apesar de ser dia, percebi uma dificuldade maior das garotas para se locomover na trilha. Descemos devagar e chegamos ao acampamento por volta das 13 horas. O tempo fechou mais ainda e a chuva fina voltou a cair. Enquanto eles aguardavam o transporte comecei a pensar se valeria a pena fazer a travessia com aquele tempo. Uma das coisas mais importantes numa aventura é fotografá-la mas isso não seria fácil com chuva. Acabei desistindo da travessia e descendo com o grupo de volta a Pedra Menina. A travessia ficaria para outra oportunidade.

Álbum de fotos: http://bit.ly/4GsIKf
Dicas para visitar o Pico da Bandeira: http://www.tedd.ws/especiais/pico-da-bandeira
Trilha: http://www.everytrail.com/view_trip.php?trip_id=83540
Relato da primeira viagem: http://wp.me/pFnHp-4g

Terceira Viagem à Ibitipoca

Janela do Céu

Janela do Céu

Na terceira viagem à Ibitipoca em julho de 2006, me acompanhou o amigo e irmão Lucas Vallory. Foi sua primeira experiência em acampamento e trilhas. Também nunca havia estado em grutas e muitas outras coisas seriam novidades para ele.

Em Lima Duarte tivemos que esperar da manhã até a tarde pelo ônibus que nos levaria para Conceição de Ibitipoca. Encontramos a Paula, uma paulista que estava na mesma situação. A conversa e os jogos de baralho minimizaram o tédio de esperar pelo ônibus.

Acampamos em uma área de camping dentro do vilarejo de Conceição de Ibitipoca. No primeiro dia não fomos ao parque pois já estava bem tarde. Aproveitamos para conhecer as atrações do vilarejo. Tive a oportunidade de comer um delicioso “pão com linguiça” bem ao estilo mineiro.

No dia seguinte seguimos a pé para o parque. Foram três quilômetros até a portaria e chegamos por volta das 10 horas da manhã. Tivemos a grata surpresa de ver que haviam transformado a cantina em um ótimo restaurante. Então passeamos pelas redondezas até o horário do almoço. Depois de uma farta refeição, começamos nossa subida em direção ao Pico do Peão. Seus 1.720 metros foram atingidos por volta das 13 horas. De lá descemos para a Gruta dos Viajantes.

Mais para o final da tarde estivemos na Ponte de Pedra e mais uma vez pude apreciar os paredões rochosos e a água amarelada correndo pelo vale.

No terceiro dia subimos pela trilha em direção ao Pico do Ibitipoca. Ao passarmos pela entrada da Gruta das Bromélias havia um aviso de a mesma estava interditada para visitas. Depois ficamos sabendo que era devido aos frequentes desabamentos. Desta vez não haveria exploração desta magnífica gruta. Seguimos adiante e passamos pelo Pico do Ibitipoca, descendo pela trilha que leva à Janela do Céu. Chegado lá encontramos um grupo que havia chegado momentos antes. Foi interessante observar a reação deles e do Lucas diante de algo tão pitoresco. A Janela do Céu encanta com suas belezas e o contraste entre algo tão próximo – a lâmina d’água que some cachoeira abaixo – e algo tão longe – o céu pontilhado de nuvens.

Retornamos pelo mesmo caminho e partimos de volta à Vitória no dia seguinte. Para a próxima visita escolherei um período mais úmido, pois a vegetação fica muito exuberante conforme já vi em fotos.

Álbum de fotos: http://bit.ly/1D1UMd
Dicas para visitar Ibitipoca: http://www.teddsantana.com/especial_ibitipoca.html
Relato da primeira viagem: http://wp.me/pFnHp-G
Relato da segunda viagem: http://wp.me/pFnHp-6x

Segunda Viagem à Ibitipoca

Gruta das Bromélias

Gruta das Bromélias

Lá pelo final da década de 90 estive novamente em Ibitipoca. Desta vez me acompanhou Vitor Semblano, irmão de Bruno Semblano que estava na primeira viagem. Como tivemos um tempo maior para os preparativos da viagem, conseguimos vaga no camping dentro do parque. Isso fez toda a diferença. Quem acampa dentro fica livre dos horários de entrada e saída e não precisa andar quilômetros de volta para sua área de camping fora do parque depois que passou o dia inteiro andando pelas trilhas.

Nesta segunda viagem pude selecionar melhor os lugares para visitarmos. Escolhi os que mais gostei na primeira vez e alguns que não havia dado tempo de ver. Como o Vitor estava com muita disposição para andar, conseguimos cobrir tudo. Os destaques ficaram para a Janela do Céu (ou Janela para o Céu) e Gruta das Bromélias. Mas a subida ao Pico do Peão é sempre interessante. Passamos por lá depois que saímos da Gruta dos Viajantes. Enquanto descansávamos, passou por nós um grupo de três ou quatro adolescentes em direção à Gruta dos Viajantes. Já era final de tarde e eles não estavam com lanternas, agasalhos e nem água. Imaginei que não fossem conseguir retornar com luz do dia. E foi o que aconteceu. Já era noite e estávamos de volta ao acampamento quando soubemos que havia um grupo perdido pelos lados do Pico do Peão. O pessoal que estava na lanchonete tentava sinalizar com lanternas para indicar a direção a seguir. O problema é que quem está no Pico do Peão não pode seguir direto para o centro do parque. No meio há um vale cujas trilhas estavam fechadas e onde havia uma gruta com o sugestivo nome de Gruta da Onça. Vou deixar o resto por conta da imaginação de vocês. Como já estava bem frio e sem possibilidade deles retornarem sozinhos, alguns guardas e voluntários partiram para buscá-los. Nós já estávamos dormindo quando eles conseguiram chegar (inteiros), conforme ficamos sabendo no dia seguinte.

Já a Gruta das Bromélias me reservou uma surpresa: um grande desabamento. Confesso que deu um friozinho na barriga quando vi tantas rochas sobre o lugar por onde eu havia passado anos antes. Tirei da cabeça o pensamento de que outro desabamento pode ocorrer a qualquer momento sem aviso e fomos adiante. Pegamos uma das ramificações e seguimos até o seu final. Não precisa dizer que por boa parte do percurso tivemos que nos arrastar por passagens estreitas. Obviamente eu estava na frente e se alguém fosse se entalar esse alguém seria eu. Não tenho certeza mas acho que disse ao Vitor que se eu ficasse agarrado ele deveria voltar e buscar ajuda.

Quem nunca entrou em uma gruta e se embrenhou por passagens estreitas provavelmente não conseguirá ter uma ideia precisa do que se sente numa situação dessas. Não há absolutamente nenhuma luz a não ser a das lanternas. O som exterior não chega lá. Então uma experiência interessante é desligar as lanternas e ficar em silêncio. Acreditem: dá para ouvir seu próprio coração batendo e não se vê nada, mesmo com os olhos arregalados. Isso não dá medo, mas ir adiante se arrastando devagar e com muita dificuldade e pensando que voltar “de ré” deve ser muito mais difícil ainda, isso sim dá muito medo.
Infelizmente os lobos não deram o “ar da graça” desta vez e eu ainda não tenho fotos deles para exibir. Mas o passeio foi dos melhores e deixou gostinho de “quero mais”.

Alguns anos se passariam até que eu retornasse. Mas essa já é outra história.

Álbum de fotos: http://bit.ly/9pkFV
Dicas para visitar Ibitipoca: http://www.tedd.ws/especiais/ibitipoca
Relato da primeira viagem: http://wp.me/pFnHp-G